.

Publicado el December 12th, 2008, 19:11

 

A tragédia do Sul e nossa responsabilidade Teológica

 Todos os anos é a mesma coisa. Como um filme de terror que se repete, somos acometidos anualmente pelas mesmas mazelas. Enchentes, desmoronamentos, deslizamento de encostas, epidemia de dengue e seca no Nordeste. O que muda é apenas o local, por vezes os deslizamentos ocorrem em MG, outrora em SC outrora em SP, as mortes vítimas do mosquito da dengue ocorrem por vezes no RJ outras no ES. Muda o local, mas o resultado é um só: inúmeros brasileiros vítimas, das águas, das secas e dos mosquitos. Mas, vítimas em última análise de si mesmo. Não iremos falar aqui de questões topográficas ou de saúde pública, pois não tenho conhecimento de ambas, mas quero falar sobre a nossa responsabilidade em todas estas catástrofes, sobre um aspecto que eu, e provavelmente você que está lendo este artigo tem conhecimento. Quero falar sobre nossa responsabilidade teológica diante de tudo isso.

O livro de Gênesis numa das mais belas narrativas da Bíblia no cap. 1, versículo 28 diz: "E Deus os abençoou e disse: Frutificai-vos, multiplicai-vos, e enchei a terra, sujeitai-a e dominai-a...". Sempre que leio este texto tenho a impressão que Deus dá ao homem a benção de ser um participante contínuo no processo de criação. Tal texto é muito conhecido, sempre o usamos em série de mensagem sobre mordomia, e com isso falamos sobre mordomia do dízimo, mordomia do tempo, e outros, mas dificilmente lemos este texto e partir dele nos colocamos como responsáveis ecologicamente. Em nossos púlpitos, dificilmente pregamos sobre nossa responsabilidade ecológica como filhos de Deus e mordomos do Senhor com a mesma veemência que falamos sobre assuntos como pureza, maledicência e outros. Parece que a preocupação ecológica deve ocupar a pauta do Greenpeace, não a pauta de nossos programas de pregação, com isso literalmente deixamos as "pedras clamarem" (Lucas 19.40).

Hoje bradamos em alto e bom som o nosso crescimento numérico. Glória a Deus! Mas isto deve trazer consigo algumas perguntas. Como igreja organizada, institucional e porque não dizer denominacional, o que temos feito pelo nosso planeta, nossa casa comum. Nós que somos atalaias, que conhecemos a verdade e amamos o criador estamos vendo e participando da destruição de sua obra?  Talvez respondamos que não; mas se não temos pecado por ação no mínimo temos pecado por omissão.

O último Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas nos mostrou que entramos na fase do aquecimento global com mudanças irreversíveis. Mudanças climáticas que podem variar de 1,4 até 6 graus Celsius, dependendo das regiões terrestres. Tais mudanças climáticas possuem origem andrópica, quer dizer, têm no ser humano, imagem e semelhança de Deus, parte da obra de criação, seu principal causador. Portanto, reflitamos em nossa responsabilidade de cuidarmos de forma mais efetiva do nosso planeta. Como igreja, façamos algo para que enchentes, desabamentos, mortes pela fúria da natureza não venham vitimar mais vidas. É louvável levantarmos donativos e enviarmos para locais atingidos e devemos sim fazer, mas creio que mais louvável ainda será ajudarmos e fazermos nossa parte para que cenas como estas não se repitam. Depende de nós, assumamos nossa responsabilidade pela preservação da criação.

Henrique Romero, bacharel em Teologia pelo STBSB e pastor de Jovens e Adolescentes da PIB de Cachoeiro do Itapemirim, ES.

henrique-romero@hotmail.com