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Publicado el November 16th, 2008, 19:37

ISALTINO GOMES COELHO FILHO: A Cruz e o Pináculo
Conhecia Helmut Thielicke do livro Mosaico de Deus. Comprei e comecei
a ler As tentações de Jesus, também dele. O livro é bom: foram três
edições em alemão.



Uma expressão sua me encantou (ouvindo-a, Meacir concordou: "Puxa, que
lindo!"): "Deus aproxima-se silenciosamente, sem ser notado por
ninguém, entra pela porta dos fundos do mundo, e repousa no estábulo
de Belém". O Deus silencioso! O mesmo Deus que respondeu a Elias
contrariando a sua expectativa. Não veio como terremoto, vento
despedaçador ou fogo, mas como brisa mansa e suave.

Satanás oferece o pináculo do templo: "Lança-te daqui abaixo". Que
conselho! Na hora do culto, a multidão indo ao templo, Jesus pula e
quando vai se esborrachar, anjos surgem e o depositam suavemente no
chão. Fantástico! Por que a cruz? Por que o sofrimento? Há meio mais
fácil! Se a questão fosse como hoje, atrair gente, o conselho de
Satanás seria o melhor. Mas Deus tem seus planos. Ele age de maneira
diferente da que pensamos (como com Elias) e muitas vezes no silêncio,
como na encarnação.

Por que esperar raios, trovões e fumaças e não ver a mão de Deus no
amigo que, sem saber de nossa dor, foi tocado por Deus para orar por
nós? Por que não ver a mão de Deus na palavra de um irmão ou do
professor da EBD, ou do pastor, que vem ao nosso encontro, nos
conforta, lança luz e dirime questões?

Em Jesus, Deus entrou pela porta dos fundos do mundo, à noite, e foi
dormir num estábulo. Este é o maior de todos os milagres, a
encarnação. O Eterno entrou no tempo, o Infinito entrou no espaço, o
Santo veio aos pecadores. Deus é desconcertante! Faz o que quer,
quando quer, sem dar satisfações, e não precisa que tomemos atitudes
pouco sábias e, algumas vezes, ímpias. Como Pedro, quase matando
Malco, à espada. Se Jesus quisesse, o Pai o livraria.

Duas questões são fundamentais. A primeira é quem Deus é. Ele é grande
e é poderoso. Pode nos usar, pode se servir de nós, mas não precisa de
nós. Saía-se bem antes de nós e quando nos formos, irá bem. Cuidado
com cultos e pregações tipo pináculo do templo para promover seu
reino. Ele não precisa de estardalhaço (e isto serve para a barulhada
terrível de boa parte da liturgia de muitas igrejas hoje!) nem de
sensacionalismo. A divulgação do seu evangelho, de seus atos e feitos,
vem pelo testemunho, pela vida, pelo caráter e pela proclamação com a
vida. Deus sabe "se virar". Não precisamos "forçar a barra". Ele não é
incompetente nem o evangelho é uma tranqueira que precisa de
artifícios desonestos. Ele precisa de quem viva sua palavra e não de
quem a infle artificialmente.

A segunda questão é o que o evangelho é. Conteúdo e não rótulo. Miolo,
não casca. E se impõe pelo que é, pelo que diz, pelo que mostra, e não
pelo adorno e enfeite que lhe damos. A igreja tem tornado o evangelho
palatável aos homens, e muitas vezes lhe tira o conteúdo para vender
um produto agradável. É a graça barata, a liturgia barata (e pobre,
porque a liturgia atual é barulho e sacolejo com conteúdo paupérrimo),
o testemunho barato, a vida fácil. Jesus não fez concessões. O
evangelho não seria divulgado pelo pináculo, mas pela cruz.

O evangelho é cruz e não pináculo. Não a substitua por ele. Nem a leve
para lá. Assuma-a. Proclame-a. Cruz, e não pináculo.

Fonte: http://www.ojornalbatista.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=65&Itemid=33
Por SousaNeto, en: General