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Publicado el November 17th, 2008, 15:49

A vida é um conto ligeiro...

Uma homenagem ao Pr. Waldemiro Tymchak

(Baseada em João capítulo 17. Título: Praticando a Unidade.)
O Pr. Waldemiro Tymchak amava, admirava, respeitava e era leal aos colegas, amigos e irmãos em Cristo. Quando ele estava em casa, era comum recebermos pessoas para lanchar, almoçar ou jantar. Ele tinha um carinho especial com os idosos e estrangeiros.


Acidália Tymchak

UNIDADE COM OS COLEGAS, AMIGOS E IRMÃOS
Como a unidade com os colegas, amigos e irmãos se manifestava na vida de Waldemiro Tymchak.

a) Colocando-se no lugar do outro

Ele estava sempre empenhado em ajudar alguém. Quando era seminarista, viveu uma experiência que o marcou profundamente. Ele fazia um trabalho de férias pelo interior de Goiás e, certo dia, andando por um lugar ermo, viu um casebre no meio do mato. Aproximou-se e observou que a porta estava semi-aberta. A casa era muito pobre, iluminada por um fifó (pequeno candeeiro a querosene). Bateu palmas, mas ninguém atendeu. Pela fresta da porta, ele viu uma senhora idosa, enrolada em um lençol e sentada dentro de uma bacia. Quando se virou para ir embora, viu aproximar-se um senhor com um feixe de gravetos nas mãos. Ficou sensibilizado quando soube que aquele senhor era João de Deus, outrora um grande evangelista de Goiás. A mulher era a esposa dele, cega e doente.

Logo que nos casamos, Waldemiro me deu um livreto chamado Semeando a Boa Semente. O livro era sobre a vida desse grande servo de Deus. Ele me disse que a Convenção do Estado de Goiás tirou o casal daquela situação difícil e o ajudou até o fim de seus dias. Mas, a imagem que ficou gravada em sua mente foi a de um servo do Senhor passando dificuldades. Ele tomou aquela experiência como uma lição para não permitir que algo semelhante acontecesse perto dele. Eu o apoiei integralmente e pudemos ser bênção para muita gente.

b) Atento às necessidades do próximo

Em nossas orações, rogá-vamos a Deus que nos usasse para abençoar os outros. Certa vez, ganhei um bom aumento de salário. Quando contei a novidade, ele me abraçou e disse: "Que bom! Poderemos abençoar mais pessoas!".

Certa ocasião, um pastor pediu ao Pr. Waldemiro para dar apoio a um seminarista de sua igreja, pois os pais o aban-donaram, quando ele decidiu ir para o Seminário. Waldemiro arranjou estágio para o rapaz na Junta e lhe deu todo o apoio. Semanalmente, ele pegava as roupas do rapaz, levava para eu lavar e depois entregava a sacola com as roupas limpinhas a ele. Além disso, vez por outra, levava o rapaz para lanchar em nossa casa. Hoje ele é pastor de uma boa igreja.

Um dia, Waldemiro estava na Junta e um pastor bem idoso telefonou para ele dizendo que sua esposa estava doente e ele não tinha a quem apelar. Na mesma hora, Waldemiro tomou providências para que a senhora fosse hospitalizada e tratada. Só descansou quando tudo ficou resolvido.

Há uns três anos, ele foi a São Paulo para uma reunião com a Missão Inglesa BMS e lá conheceu um africano muito doente, procurando ajuda para fazer um tratamento. Ele ficou tão penalizado, que comprou uma passagem de avião e levou o africano com ele para o Rio de Janeiro. Esse senhor ficou no Rio por quase um ano, fazendo fisioterapia, consultando médicos, tomando remédios, sem gastar nada, até que voltou para a África.

c) Sendo hospitaleiro

Quase todos os estrangeiros que visitaram o Brasil e a Junta, na gestão de Waldemiro Tymchak, estiveram em nossa casa. Ele tinha um carinho especial por eles, pois tinha sido estrangeiro, quando estudante, e sabia da importância de ser recebido na casa de alguém.

Certa vez, logo no início de nosso ministério na Junta, nós recebemos 10 japoneses para jantar em nossa casa. Nesse dia, o Pr. João Falcão Sobrinho jantou conosco. Eu fiquei sabendo do jantar quase em cima da hora e tive de "dar nó em pingo de cânfora na frente do ventilador" para me desincumbir da tarefa. Eram 13h, quando Waldemiro me avisou, e o jantar foi, mais ou menos, às 18h. Felizmente tudo deu certo, ele ficou feliz, e eu mais ainda!

Waldemiro tinha um carinho especial pelos pastores apo-sentados e idosos. Ele não queria que eles se sentissem desprezados e procurava lhes dar a maior atenção. Uma vez, nós reunimos em nossa casa um grupo em que estavam dois pastores que tinham sido ícones da Denominação. Ele teve o cuidado de convidar as esposas e outras pessoas do círculo de amizade desses pastores, para que eles se sentissem presti-giados e honrados. Foi uma noite memorável!

Conclusão

Foi muito difícil preparar este testemunho. Falar de unidade sentindo-me mutilada foi um desafio. Nunca imaginei, nem mesmo depois de tê-lo visto enfrentar o câncer, que eu ficaria sem o meu marido. Esses últimos nove meses têm sido muito tristes. Eu e meus filhos temos caminhado, exclu-sivamente, pela graça de Deus. Eu e Waldemiro queríamos que Cristo voltasse para nos levar juntinhos para o céu.

Sou imensamente grata a Deus pelo marido e filhos que Ele me deu. Sou grata a Deus porque eu, Waldemiro e os nossos filhos fomos um no Senhor e buscamos a unidade com os nossos irmãos em Cristo. O nosso lar foi, literalmente, um pedaço do céu na terra e, de certa forma, continua sendo, porque a lembrança de nosso amor está por toda a parte.

Queridos, graças a Deus, eu e meu marido vivemos plenamente com os nossos filhos, parentes e amigos. Não deixamos nada para depois. Entre nós não havia ciúme, insegurança, medo de que um se destacasse mais do que o outro. Caminhamos juntos, lado a lado, sonhando, sorrindo e chorando, mas frutificando para o Senhor. É reconfortante lembrar que servimos ao Senhor com alegria, não adiamos nenhuma gentileza, nenhuma declaração de amor, nenhum abraço; enfim, nada deixou de ser feito, dito ou vivido.

Agora, eu vivo na esperança do reencontro. A única coisa que me traz alegria é imaginar a minha chegada ao céu. Depois que eu abraçar Jesus Cristo, a primeira pessoa que eu quero ver é Waldemiro Tymchak.
O meu desejo é que os irmãos pastores sejam um com Deus, com seus cônjuges, com suas famílias e com os crentes em geral, para que o mundo creia que Deus enviou Jesus Cristo. Se até hoje não deu para experimentar essa bênção, que os irmãos comecem agora. Encerro este testemunho, com o qual eu pretendi homenagear o meu marido, com um soneto de Camões. Esse soneto expressa o que está no meu coração:

Alma minha gentil, que te partiste
tão cedo desta vida descontente,
repousa lá no Céu eternamente,
e viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento etéreo, onde subiste,
memória desta vida se consente,
não te esqueças daquele amor ardente
que já nos olhos meus tão puro viste

se vires que pode merecer-te
alguma coisa a dor que me ficou
da mágoa, sem remédio, de perder-te,

roga a Deus, que teus anos encurtou,
que tão cedo de cá me leve a ver-te,
quão cedo de meus olhos te levou.

Mensagem proferida no Congresso da OPBB, em São Luís/MA, em 17 de janeiro de 2008. Leia o discurso completo no Portal JMM: www.jmm.org.br/homenagem
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Por InfoBatista, en: General