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Publicado el November 18th, 2008, 20:07

A palavra bênção (berãkhâ) no Antigo Testamento, geralmente significava a concessão de bem, a concessão de algo material. Quando Deus disse aos filhos de Israel que estavam diante da bênção e maldição (Dt 11,26), o entendimento era de que poderiam ter abundância ou escassez, ou seja, a concessão de bens ou falta deles.

Algumas vezes a bênção era uma fórmula de palavras proferidas por alguém na intenção de outros. Assim temos a bênção de Isaque aos filhos Jacó e Esaú. A bênção sacerdotal proferida por Arão aos filhos de Israel (Nm 6, 24-26). Entretanto, interessa-nos para reflexão neste artigo o sentido espiritual da palavra, aquilo que podemos fazer para abençoar o outro.

Nesta linha de raciocínio, para sermos uma bênção para os que nos cercam, precisamos ser uma bênção para nós mesmos.  E seremos uma bênção para nós mesmos a partir de um bom relacionamento com Deus. Isso é determinante na minha condição de pessoa abençoada para abençoar. Alguns movimentos impactantes na história da igreja começaram por alguém que foi uma bênção para si, por relacionar-se bem com Deus.

Isto nos remete a Reforma Protestante e o relacionamento de Lutero com Deus. Atrás das 95 teses que nortearam o movimento, estava um homem que era uma bênção para si mesmo por relacionar-se bem com seu Deus.

Ele era doutor em teologia, professor de Bíblia, estudante das línguas originais, conforme CAIRNS (1984).  Foi esse relacionamento com a Palavra de Deus que o convenceu de que o justo viveria pela fé. A semelhança dele, seja tu uma bênção para si mesmo, a partir do relacionamento com Deus, leia a sua Palavra.

Depois que somos uma bênção para nós, por causa do nosso relacionamento com Deus, podemos ser uma bênção para o nosso irmão em Cristo. Ser uma bênção para o nosso irmão é amá-lo em qualquer situação. Não podemos conceber na igreja do Senhor relacionamentos estremecidos. Não podemos conceber na igreja do Senhor relacionamentos indiferentes.

A zona de conflito entre os relacionamentos fraternos precisa ser evitada para que a igreja seja respeitada. Há igrejas que carregam a marca da divisão porque seus conflitos internos não foram resolvidos à luz do amor.

Um exemplo para todos, de como evitar a zona de conflito, é a atitude de Abrão por ocasião da contenda de seus pastores com os pastores de Ló. Abrão procurou junto a Ló uma alternativa de paz. Ele disse a Ló: “Não haja desavença entre mim e você, ou entre os seus pastores e os meus; afinal somos irmãos! Aí está a terra inteira diante de você. Vamos separar-nos. Se você for para a esquerda, irei para a direita; se for para a direita,  irei para a esquerda” (Gn 13, 8-9 - NVI).

Ele poderia ter dito: “Esta terra é minha, e se você não controlar os seus nervos, vá embora”, como escreveu ALLEN (1987). Ele não agiu assim, sabia que todas às vezes que nos relacionamos mal com os nossos irmãos, deixamos de abençoá-los. Resolva seus conflitos fraternos e seja uma bênção.

Ao sermos uma bênção para nós e para os nossos irmãos, podemos então ser uma bênção para a sociedade.  Ser uma bênção para a sociedade é mostrá-la que fomos transformados pelo poder de Deus. Essa transformação que invadiu o nosso ser precisa abençoar as pessoas que vivem numa sociedade pecaminosa. No que dependeu de Abrão, ele foi uma bênção para os seus. Ele procurou até interpretar o juízo de Deus para os habitantes de Sodoma, que eram terríveis pecadores e, estavam para ser destruídos pela ira de Deus.

Abrão colocou-se no meio dos Sodomitas como uma bênção espiritual, negociando com Deus o possível perdão daqueles pecadores. Na verdade, diz CHOURAQUI (1995), “a barganha de Abrão não se fez em nome do perdão, mas da justiça de Deus, não se tratava de salvar a cidade pela cidade, mas pelos justos que nela se encontravam”. É por isso que Abrão perguntou a Deus se pelo menos houvesse dez justos destruiria a cidade.

O que ele fez é papel de cada cristão na tentativa de resgatar as pessoas distanciadas de Deus.  Sejamos como ele,  uma bênção para a nossa sociedade!  

Pr. Antonio Carlos de Lima

Pr. Pastor Adjunto na Primeira Igreja Batista em Nilópolis (RJ)

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