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Publicado el November 18th, 2008, 20:04

*Mário Antonio da Silva

Chamamos de evangélicos históricos os que se originam do protestantismo de imigração (a partir do incentivo da monarquia às imigrações européias) e do protestantismo de missão (estabelecido com a chegada de missionários norte-americanos, em meados do século 19, para difundirem sua fé entre os brasileiros).

As denominações evangélicas históricas, aqui instaladas como resultado das missões estrangeiras, são representadas, a rigor, por congregacionais (a igreja evangélica fluminense foi organizada em 1858), presbiterianos (a primeira igreja presbiteriana surgiu em 1862), metodistas (a partir de 1836), e batistas (que organizaram sua primeira igreja em 1871).

As igrejas Assembléia de Deus, Congregação Cristã no Brasil e Evangelho Quadrangular, organizadas no decorrer das quatro primeiras décadas do século 20, foram as primeiras comunidades pentecostais em solo brasileiro. O neopentecostalismo, por sua vez, tornou-se o maior fenômeno religioso no Brasil hoje, multiplicando adeptos e congregações numa velocidade espantosa, valorizando a dimensão mágica da religiosidade humana acima da pregação ética priorizada até então pelas denominações históricas.

Se para que vê de fora – e do modo como a mídia os qualifica em noticiários diversos – todos os evangélicos parecem ser farinha do mesmo saco, de que maneira podemos mostrar alguma distinção?

Assumamos, em primeiro lugar, que temos uma história e devemos torna-la conhecida. Quem são os protestantes? De onde vieram? O que ensinam? Vale a pena divulgar a história das denominações e os princípios que propagam.

Além disso, precisamos de pastores que estejam preparados para fortalecer as igrejas com mensagens autenticamente bíblicas e dispostos a ajudar os crentes a se sentirem amados, afim de que estes, experimentando uma fé madura e equilibrada, não necessitem correr atrás de migalhas emocionalistas.

Precisamos também redescobrir o sentido de culto e de adoração.
Se as pessoas não souberem o que é adorar e cultuar, como irão fazê-lo? Admitir estilos diferentes de culto não significa abandonar a base teológica bíblica. Mesmo os cânticos congregacionais precisam ser selecionados à luz dessa base teológica para que não cantemos sutis heresias, como é costume. Acredito que a falta de uma transição natural do culto missionário conversionista para o culto com uma liturgia mais desenvolvida, que reflita nossa identidade cultural, acabou causando uma ruptura quase insuperável entre o novo(representado pelo louvorzão das comunidades evangélicas e imitado por nossas congregações) e o tradicional (representado por aqueles que se negam a aceitar o que não esteja canonizado pelos hinários ou que não seja considerado um ritmo sacro ou erudito).

As igrejas, enfim, precisam entender que a mensagem do Evangelho é, essencialmente, um apelo de transformação ética. A narrativa de milagres e prodígios não constitui o conteúdo principal da proclamação. O Evangelho é pregado para que o ser humano seja transformado. Recordemos as palavras de Menno Simons, líder anabatista: “Não tenho visões nem inspirações angélicas. Nem as desejo., para não ser enganado. A palavra de Cristo, por si só, é suficiente pra mim”. Como, aliás, deveria ser também para todos nós.

Baseado em texto publicado em “O Jornal Batista”, Ano CVIII, Edição 34. Carlos César Peff Novaes.

*Pastor da Igreja Batista Nova Jerusalém, Rua Presidente Kenedy, 198, Vila Industrial Dourados.

Chamamos de evangélicos históricos os que se originam do protestantismo de imigração (a partir do incentivo da monarquia às imigrações européias) e do protestantismo de missão (estabelecido com a chegada de missionários norte-americanos, em meados do século 19, para difundirem sua fé entre os brasileiros).

As denominações evangélicas históricas, aqui instaladas como resultado das missões estrangeiras, são representadas, a rigor, por congregacionais (a igreja evangélica fluminense foi organizada em 1858), presbiterianos (a primeira igreja presbiteriana surgiu em 1862), metodistas (a partir de 1836), e batistas (que organizaram sua primeira igreja em 1871).

As igrejas Assembléia de Deus, Congregação Cristã no Brasil e Evangelho Quadrangular, organizadas no decorrer das quatro primeiras décadas do século 20, foram as primeiras comunidades pentecostais em solo brasileiro. O neopentecostalismo, por sua vez, tornou-se o maior fenômeno religioso no Brasil hoje, multiplicando adeptos e congregações numa velocidade espantosa, valorizando a dimensão mágica da religiosidade humana acima da pregação ética priorizada até então pelas denominações históricas.

Se para que vê de fora – e do modo como a mídia os qualifica em noticiários diversos – todos os evangélicos parecem ser farinha do mesmo saco, de que maneira podemos mostrar alguma distinção?

Assumamos, em primeiro lugar, que temos uma história e devemos torna-la conhecida. Quem são os protestantes? De onde vieram? O que ensinam? Vale a pena divulgar a história das denominações e os princípios que propagam.

Além disso, precisamos de pastores que estejam preparados para fortalecer as igrejas com mensagens autenticamente bíblicas e dispostos a ajudar os crentes a se sentirem amados, afim de que estes, experimentando uma fé madura e equilibrada, não necessitem correr atrás de migalhas emocionalistas.

Precisamos também redescobrir o sentido de culto e de adoração.
Se as pessoas não souberem o que é adorar e cultuar, como irão fazê-lo? Admitir estilos diferentes de culto não significa abandonar a base teológica bíblica. Mesmo os cânticos congregacionais precisam ser selecionados à luz dessa base teológica para que não cantemos sutis heresias, como é costume. Acredito que a falta de uma transição natural do culto missionário conversionista para o culto com uma liturgia mais desenvolvida, que reflita nossa identidade cultural, acabou causando uma ruptura quase insuperável entre o novo(representado pelo louvorzão das comunidades evangélicas e imitado por nossas congregações) e o tradicional (representado por aqueles que se negam a aceitar o que não esteja canonizado pelos hinários ou que não seja considerado um ritmo sacro ou erudito).

As igrejas, enfim, precisam entender que a mensagem do Evangelho é, essencialmente, um apelo de transformação ética. A narrativa de milagres e prodígios não constitui o conteúdo principal da proclamação. O Evangelho é pregado para que o ser humano seja transformado. Recordemos as palavras de Menno Simons, líder anabatista: “Não tenho visões nem inspirações angélicas. Nem as desejo., para não ser enganado. A palavra de Cristo, por si só, é suficiente pra mim”. Como, aliás, deveria ser também para todos nós.

Baseado em texto publicado em “O Jornal Batista”, Ano CVIII, Edição 34. Carlos César Peff Novaes.

*Pastor da Igreja Batista Nova Jerusalém, Rua Presidente Kenedy, 198, Vila Industrial Dourados.

Fonte: http://www.agorams.com.br/index.php?ver=ler&id=137430

Por InfoBatista, en: General