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Publicado el November 19th, 2008, 19:22

A Eloá é a mulher do Brasil.
A Eloá é a nossa versão da Amélia.
A Eloá é a Geni, do Chico Buarque, é a mulher que deve levar pedrada, que deve apanhar... maldita Geni.
Quantas mulheres - que ficamos sabendo - que foram assassinadas pelos seus amantes? Amantes, não. Odiantes.
Um juiz aqui, um jovem de Sorocaba ali, um garoto de Unaí (MG) acolá. Fico pensando se acontecesse - quando acontecesse - de ser a menina que mataria o garoto.
A Eloá é o símbolo da mulher que apanha, da mulher que não tem direito de terminar o relacionamento, o namoro. Ela está aí para ser conquistada quando o rapaz quiser; está aí para ser abandonada quando o rapaz quiser. Eloá existe para, depois de ser deixada grávida, ter que passar pelo vexame de fazer teste de DNA, porque o "José" desconfiou que a sua "Maria" o traiu.
Eloá é a mulher brasileira, uma cultura descendente de machos descendentes de árabes e judeus, homens que podiam ter mais de uma mulher, que deveria ter uma iniciação sexual antes de entrar no casamento. Somos ainda árabes e judeus, que, como os senhores de escravos, proibiam as suas mulheres de sentirem orgasmo. Elas eram condenadas a sentirem prazer, se o fizessem, apanhariam de seus senhores. Depois do sexo com a mulher, cabia ao senhor ir até a senzala e possuir as negras e índias, mais quentes, mais responsivas... e, culturalmente, posse do senhor branco.
Foi assim que nossa cultura foi forjada. Mulher subserviente, serva, que não serve para nada.
Nós, pastores e religiosos, somos diferentes. Mas lhes negamos o direito de chamá-las colegas, quando pastoras. Por isso, as proibimos, teologicamente, de serem pastoras, porque, no fim, são todas "Eloás".
João Pedro
 

Nota da redação: Pr. João Pedro é de Brasília, sociólogo, fez doutorado em Brasília.

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Relações de Gênero - Dominação Feminina ainda existe

REFLEXÃO SOBRE AS RELAÇÕES DE GÊNERO

Pensando no tema “Democratização nas Relações de Gênero”, um dos assuntos estudados pela Universidade Metodista de São Paulo, pus-me a avaliar os acontecimentos da última semana. Foram casos variados de Dominação da figura feminina:

  1. Seqüestro e assassinato de Eloah, 15 anos.  Santo André- SP. Seqüestrada pelo ex-namorado, de 22 anos.
  2. Tentativa de seqüestro de moça de 17 anos, em Ibirité – MG. Seqüestrador: ex-namorado de 34 anos.
  3. Seqüestro de mulher em São Paulo. Seqüestrada pelo próprio marido.
  4. Seqüestro e assassinato de mulher com seu filho, em Belo Horizonte. Seqüestrada pelo ex-marido, que sumiu com a criança.
  5. Seqüestro e assassinato de Camila, Sorocaba - SP. Sequestrada e assassinada pelo ex-namorado.

Homens que não aceitam perder seus troféus femininos, objetos de prazer, de dominação mental/ física e controle.

      Abraços, Claudia Paixão - aluna UMESP.

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Oi Cláudia e irmãos (ãs)

É inconcebível que em pleno século XXI essa questão ainda seja tão latente e mais ostensiva do que nunca.

São situações em que o ser humano expressa o seu lado mais vil.

E muitos desses quadros de dominação estão perto de nós, em nossas igrejas, que muitas vezes reforçamos com nossos ensinos.

Temos muitas vezes medo de mexer no assunto, de ferir sentimentos machistas.

Mas não temos compaixão de mulheres e nem providenciamos meios de ajudá-las com uma pastoral de mulheres, por exemplo. Muitas igrejas “esmagam” suas lideranças femininas e ficam sem meios de atender, de forma eficaz, mulheres que sofrem por causa de sua condição de mulher, o que é muito mais comum do que se pensa.

Abs

Pra. Zenilda

Por InfoBatista, en: General