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Publicado el November 19th, 2008, 19:21

A Igreja Não Cresce aos Domingos

Persiste quase um dogma de fé que a Igreja tem o seu crescimento numérico aos domingos. Especialmente nos cultos vespertinos. A mensagem e a ordem do culto têm o seu foco na evangelização. Cabe ao pregador apresentar mensagem que leve o ouvinte à conversão. Caso não consiga é considerado um péssimo pregador. Todos aguardam ansiosamente o levantar da mão de algum suposto incrédulo, que nem sempre está presente no culto. O ficar de pé. Ou vir à frente com os conselheiros que lhe darão as primeiras orientações de como permanecer firme na fé. Que venha se tornar membro da grei. Pessoas são "treinadas" para cativar e não perder o suposto neo convertido. Uma carta durante a semana. Talvez, nem sempre, uma visita. Assim se contabilizam as novas conversões e o crescimento da Igreja.

Na maioria das vezes o apelo é confuso. A pessoa que ergue a mão e é instada a vir receber a oração do pregador, nem sempre tem consciência da verdadeira conversão. A maioria almeja a oração que "trará" soluções a seus problemas materiais e emocionais. Jamais lhe passa pela mente um compromisso sério com Jesus Cristo como Salvador e Senhor. Contabilizados os números de "decisões", o número de batismos e o número dos que permanecem firmes na fé, concluímos serem ínfimas as conversões genuínas. O tempo se encarrega de tabular os resultados verdadeiros. Estes não são promissores. Gerando decepções em muitos salvos, pelo não "crescimento" da Igreja.

Essa angústia abre portas para os vários programas de crescimento da Igreja. Do vale tudo até o recebimento de membros sem a necessária conversão e comprometimento doutrinário, tudo é aceito, desde que o rol de membros, quando existe, ofereça um bom percentual de crescimento numérico.

Na verdade a Igreja não cresce aos domingos à noite. Na maioria das vezes decresce. Isto é: fecha a oportunidade ao crescimento. Ao seu desenvolvimento numérico. Várias são as razões a comprovar este arrazoado.

Os ouvintes, membros da Igreja, participam dos cultos convictos de que todo o programa desenvolvido não lhes diz respeito. Tudo é feito visando o "visitante" não membro da grei. Entram e saem do templo como meros observadores de um rodeio. Cabe ao pregador, o peão, domar o boi bravo. Caso consiga, receberá aplausos e será considerado um ótimo cowboy. Um evangelista com lugar garantido nas concentrações e cultos evangelisticos. Embora na segunda feira nenhum dos ouvintes, membros da Igreja, lembrará o texto e o tema da mensagem que foi transmitida. Não há cultos. Há observadores, não comprometidos com a Igreja e com o evangelho de Jesus Cristo. Por isso a maior parte da Igreja prefere o culto "evangelistico", que não lhe diz respeito. Pobre púlpito. Prega no deserto, tentando saciar os desejos da Igreja que almeja crescimento, mas não compromisso. Quase sempre sem nenhum não convertido para ouvir o plano de salvação. Cedo é descartado como péssimo Pastor. Responsabilizado pelo declínio da Igreja.

Em desespero alguns púlpitos se deixam vender pelas pantomimas que agradam o auditório. Venha à frente, que vou orar por você. Se vai ocorrer conversão, não importa. Importante é contabilizar "decisões" e garantir o apoio da liderança eclesiástica.

Alguns salvos fiéis conseguem trazer aos cultos seus amigos, vizinhos, parentes e colegas de trabalho. São pessoas que vem uma vez e jamais retornam. No decorrer do culto são levadas à terrível decepção. Vem cantando no coro o administrador de empresas que foi despedido da firma, depois de comprovada falcatrua. Lá está um jovem, companheiro das baladas e inferninhos da Cidade. Beberrão, jogador inveterado, mulherengo implacável. Ao lado do visitante está aquele vizinho briguento. Espanca a esposa e filhos. Não fala com os filhos. Mais à frente o sisudo empresário que não assina carteiras dos empregados. Sonega os impostos. Não emite notas fiscais. Isso sem falar naqueles jovens e adolescentes freqüentadores de motéis. Afinal tudo é válido durante a semana. Os exemplos negativos se sucedem.

O não salvo não entende como tais pessoas estão à frente da Igreja. Dirigem cultos. Cantam nos coros. São líderes na comunidade eclesiástica. Ávidos por oferecer cursos de como fazer aos outros, mas sem compromisso de vida com Cristo. A conclusão do não salvo é que não precisa da Igreja. Na verdade eles, os não salvos, são mais honestos do que os salvos. Alguns corajosamente, confrontam os crentes que insistiram para que visitassem a Igreja o porquê de não mais voltar. Eles são melhores do que os "salvos". Pelo menos assumem seus delitos e não comprometem o Evangelho de Cristo. "Desculpe, mas não mais voltarei a sua Igreja". Assim a Igreja decresce no domingo, quando deveria crescer.

A Igreja cresce durante a semana, não no domingo, quando os verdadeiros salvos vivem compromisso sério com Cristo. Ao testemunhar na família. Na escola. Na vizinhança. Nos locais de trabalho, semeiam mensagens que impulsionam o crescimento verdadeiro da Igreja.

Por melhor que seja a programação desenvolvida pela Igreja, não haverá crescimento sem testemunho eficaz. Os verdadeiros edificadores da Igreja de Cristo, às vezes, são anônimos. Não cantam em grandes e imponentes corais. Não ministram sabedoria nas classes da EBD. Não possuem currículos invejáveis. Não produzem exímios discursos para convencer e promover santidade. São crentes que não aparecem. Mas vivem a mensagem do Evangelho São salvos que não aguardam colheitas aos domingos. Mas semeiam durante toda a semana. Por onde passam testificam compromisso com Jesus. Tais salvos não se preocupam com mãos erguidas num culto. Sabem que o verdadeiro crescimento do reino é produto da boa semente semeada nos sete dias da semana. Semente que sempre cai em boa terra, pois o semeador sabe como semeá-la e onde semeá-la. Sem testemunho não há crescimento. O péssimo testemunho é fator de regressão da Igreja. Carecemos de salvos comprometidos, não só no domingo, mas nos demais dias da semana. Não só nos cultos. Mas em todos os lugares.

Julio de Oliveira Sanches (SP)

Por InfoBatista, en: General