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Publicado el November 21st, 2008, 11:35

Roger Brandt

A Reforma é anti-bíblica

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Biblicamente falando, o objetivo de Deus, a grande ênfase de gênesis a apocalipse, sempre foi um novo começo e não reformar o velho. Por exemplo, Deus não reforma o coração humano, mas lhe dá um novo. Deus não reformou o judaísmo, mas deu início a uma nova forma de culto e adoração. Deus não reformou o tabernáculo, mas construiu um novo templo. Deus não esteve preocupado em reformar a igreja (instituição), mas ao longo da história promove novos movimentos autônomos. Por isso os chamados reformadores nunca existiram. Não existe igreja reformada. No máximo existem novas igrejas que preservam elementos antigos.

Os paradigmas da “Reforma”, o modelo que ela propunha, a ênfase que levantou no valor das escrituras, da e da graça (Cristo e Deus adicionalmente) não teriam mais sentido hoje, na medida que estes pontos, até mesmo na igreja “católica” romana se tornaram enfáticos.

Por isso dói muito para nós que crescemos nos orgulhando desta grande descoberta de mais de 500 anos, de repente, ver-nos forçados a abandoná-la. A ênfase nas Escrituras, na Salvação pela fé e pela graça somente vem se tornando tão exagerada que para nos aproximarmos da vontade divina e da verdade revelada precisamos apelar para o outro extremo: menos Bíblia, por favor! Menos fé! Menos graça! Menos “Jesus”! Menos "glória" a Deus, pelo amor de Deus.

Vejamos separadamente cada ponto:

1) Menos Bíblia – Será que precisaria ser dito algo mais a esse respeito? Por um lado estamos todos nós fartos da hipocrisia dos doutores da lei evangélicos, do legalismo crente, do uso abusivo das escrituras que a melhor coisa a se fazer é dar férias aos livros sagrados e deixar que eles assumam novamente seu valor de sagrado. Por outro lado, há tanta riqueza na cultura secular que foi desprezada, banida, excomungada e queimada em praça pública (ou púlpito) que já passou da hora de valorizarmos o santo naquilo que Deus por graça deixou à humanidade não santa, por graça.

Fonte: http://teologia-livre.blogspot.com/2008/10/reforma-anti-bblica-1.html

Dietrich_Bonhoeffer

2) Menos fé – “a fé não costuma falhar” cantou Gilberto Gil, mas falha, principalmente se está baseada só na vontade humana, se está fora da palavra de Deus, ainda que para se justificar use de textos bíblicos. Milagres prometidos e não realizados têm frustrado pessoas e comunidades inteiras. Por questões de fé, ao longo da história, pessoas têm matado umas às outras. A “reforma” declarou que a salvação é só pela fé, assim ninguém precisa e nem pode comprar os céus, seja por meio de indulgências ou das obras. Mas há poucas décadas atrás, Bonhoeffer já nos advertia sobre os perigos de uma fé sem obras, baseada numa graça barata (bareteada). Advertência esta que se encontra de forma explícita em nosso livro sagrado. Mas deixemo-lo um pouco na prateleira e vamos agora praticar coerentemente aquilo que temos lido e aprendido lá, para que possamos de fato aprender a lição.

fonte: http://teologia-livre.blogspot.com/2008/10/reforma-anti-bblica-2.html

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Estamos advogando que Deus não deseja reformar o velho, mas quer um novo começo. Aguardamos novos céus e nova terra onde habitem a justiça e não o velho remendado.

3) Menos Graça – Com isso, a exemplo do que escrevemos sobre menos escrituras e menos fé, queremos dizer apenas menos abuso, menos pseudo fé, menos pseudo palavra inspirada e também menos pseudo graça. (Obviamente quanto mais destas, coisas enquanto autênticas, melhor!)

Contudo o que assistimos com freqüência é o abuso da graça. No mesmo púlpito que se prega a graça, pregam-se leis e mandamentos, listas de faças e não faças, toques e não toques. Assim, aquilo que Deus nos dá gratuitamente começa ser novamente atrelado, condicionado à nossa ação. Pagamos barato por aquilo que deveria ser totalmente gratuito. Queremos reformar o velho enquanto temos total direito ao novo. Se a questão então é vivermos sob ordenanças, que então deixemos a graça em paz, e reassumamos a lei!

Menos “graça”. Menos “graça” se alguns pensam que isso significaria então carta branca para se fazer o mal, para se viver irresponsavelmente e de forma inconseqüente. Deixemos de lado a ênfase semântica na graça, assim como o próprio Cristo, que nem fez uso desta palavra e enfatizemos as verdadeiras exigências morais do Evangelho, e vivamos conforme elas, para que fique bem patente que além de não ser por merecimento é um enorme favor.

fonte: http://teologia-livre.blogspot.com/2008/11/reforma-anti-bblica-3.html

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4) Menos Jesus – Se a reforma afirmara naquela época, "salvação somente por Cristo", perguntamos então se hoje seria ainda necessário darmos esta tônica?

Estamos todos cansados dos exageros!

Não estaria o santo nome de Cristo sendo usado em vão?

Não estaria o conceito cristão de salvação sendo deturpado?

Não estaria acima de tudo a pessoa de Jesus sendo interpretada conforme o bel prazer de interesses outros divergentes dos divinos?

Jesus mesmo só colocou o pé no trem da história humana muitos milênios mais tarde, após a criação e queda. Uma vez feito carne, nesse mundo, passou vários dias e anos no anonimato de uma vida pacata. Até mesmo quando mostrou a cara ao mundo, insistia para que aqueles que foram agraciados com um milagre guardassem segredo.

Por que o Verbo encarnado não jogou confetes sobre si mesmo, mas procurou sempre o caminho da simplicidade e da singeleza?

Por que a igreja evangélica de hoje insiste no caminho contrário?

Está passando da hora de nós evangélicos entendermos que o conceito estético arquitetônico vale também para a proclamação do evangelho, onde muitas vezes “menos é mais”.

fonte: http://teologia-livre.blogspot.com/2008/11/reforma-anti-bblica-4.html

John_Calvin

E assim chegamos ao último ponto da série e dos Solas.

4) Menos Glória a Deus – serei bem sucinto neste ponto para evitar qualquer mal entendido e assim irei diretamente ao assunto: Jesus odiou a hipocrisia. Ele combateu e fugiu desse fermento, tão presente tanto na política como na religião.

Lamentavelmente a ênfase da Reforma, tão importante naquela época, desembocou hoje num rio comercial de vaidades, fanatismo e ufanismo. Por quê? Pois há ignorância em relação ao verdadeiro significado do que seja “glória”, em especial relacionada à divindade.

Se a igreja evangélica no Brasil, hoje, desmontasse toda a estrutura que construiu em função de uma suposta “para a Glória de Deus” (templos, gráficas e mídias, seminários, ONGs, gravadoras e etc.) e então começasse algo novo em função somente do Reino de Deus e de sua justiça, experimentaríamos então um novo tempo como nação e povo de Deus. Não seria um desmonte necessariamente físico, mas na mente, no coração, na alma. Temos que entender que nosso grande marco não se localiza há 500 anos, na Reforma, mas bem antes, na chegada do Reino de Deus.

Se você ainda não se convenceu daquilo que estou tentando comunicar nessa série só me resta um último argumento. Em breve estaremos comemorando o Natal. Entre em uma igreja em que houver um presépio. Observe a cena ali representada. Tente observar friamente aquela família judia, ainda que já nos acostumamos tanto com o romantismo e calor daquela situação. Atente para a simplicidade, dores e fatalidades daquele acontecimento. Veja que evidentemente na "aparência exterior" há menos fé, menos escrituras, menos graça, menos Cristo e menos Glória divina. E é justamente por causa destes “menos”, que ali, naqueles personagens (especialmente no bebê) estão presentes ainda que de forma oculta, porém transbordante, se não plenas: a Fé, as Escrituras, a Graça, o Salvador, e a Glória de Deus.

Enfim, pare de tentar reformar o velho, absorva e seja absorvido sem reservas pelo novo!

fonte: http://teologia-livre.blogspot.com/

Por InfoBatista, en: General