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Publicado el November 21st, 2008, 19:42

Hospitalidade e Honra. Onde estão?

“Não vos esqueçais da hospitalidade, porque por ela alguns, sem o saberem, hospedaram anjos”.

Hebreus 13.2

         Vivi, não muito tempo, o mundo dos negócios.

         Na qualidade de encarregado de vendas éramos obrigados a tratar nossos clientes, fornecedores e representantes comerciais com a devida honra. Honra esta que, a princípio por interesse, era imprescindível para uma boa negociação.

         Tirando o aspecto superficial da relação, aprendi que atender bem, receber com honra e indicar o caminho, se tratava de educação e porque não dizer, hospitalidade.

         Era comum entre nós as frases: fez boa viagem? Deseja almoçar o quê? Estão precisando de algo? Não se preocupe, assim como o buscamos no hotel o levaremos também!

         Não preciso ir muito longe quando penso em hospitalidade. Mamãe sempre recebia bem as pessoas, e mesmo quando não era procurada se oferecia para atender, alimentar e indicar o caminho.

         Louvo a Deus, porque cresci em um lar que “não esquecia da hospitalidade, porque por ela alguns, sem o saberem, hospedaram anjos”

         No ambiente eclesiástico, não era diferente, tive um bom modelo, meu próprio pastor.

         Perdi as contas de quantas vezes ele colocava um funcionário seu, de sua empresa, em horário de expediente, para buscar um preletor para a Igreja, levar um músico ou missionário.       

         Não sei se hoje eu teria condições de lembrar quantas e quantas refeições eu o vi oferecendo tanto em sua casa como nas instalações da Igreja para os convidados.

         Hospitalidade é um termo que meu pastor conhecia bem e aplicava na vida.

         Louvo a Deus porque cresci em uma Igreja que “não esquecia da hospitalidade, porque por ela alguns, sem o saberem, hospedaram anjos”.        

         Penso que hospitalidade combina muito bem com o termo cristão.

         Aliás, não consigo imaginar um cristão que recebeu a nova vida, sem desenvolver a hospitalidade.

         Aqui não me refiro ao dom espiritual da hospitalidade, mas ao mandamento: “não vos esqueçais”. Mandamento este para todos os cristãos.

         Imagino que muitos perdem, deixam de gozar do Senhor e receber bênçãos simplesmente porque não são hospitaleiros.

         Suas casas e corações estão fechados.

         Você não imagina o que pode acontecer quando recebe alguém com honra.

         Estou preocupado.

         Nestes últimos anos algumas coisas têm me incomodado e me senti impelido a escrever.

         Neste ponto o faço no temor do Senhor, não deixando de considerar meus próprios caminhos, e aqueles que me conhecem podem me ajudar a corrigir em mim mesmo o que é preciso.

         Refiro-me a questão da honra, além da hospitalidade.

         No ambiente dos negócios, quando convidamos alguém para uma palestra ou treinamento, a primeira coisa que procuramos descobrir são os custos.

         Convivi diariamente com estes aspectos.

         Trabalhei em recursos humanos e treinamento.

         Neste ponto, antes de convidar alguém, certificávamos da possibilidade de honrá-lo.

         Lembro-me de quando eu mesmo convidado para um treinamento ou consultoria a primeira pergunta era: qual é o custo para o senhor estar conosco?

         Quando de um convite para uma nova empresa a pergunta primeira (diferente do que tenho ouvido e presenciado em algumas Igrejas que consultam obreiros para o ministério) antes de: o que você sabe fazer? Você tem filhos? Sua esposa te ajuda? Que cursos você fez? Sabe isto, aquilo, e também aquilo, outro? Não! Pelo menos em minha própria experiência a pergunta primeira era: quanto precisamos investir em você para que venha trabalhar conosco? Depois sim, uma vez o empresário percebendo condições de honrá-lo, seguia com outros detalhes.

         Mas pode parecer que estou me queixando, advogando em minha própria causa, desabafando, ou ainda interpretando mal, pois o que “recebemos de graça devemos dar de graça”, não vamos confundir as coisas.

         Sou pastor, sou pai, sou profissional, aprendi a honrar.

         Existem no mercado, palestrantes que não abrem a boca por menos de tantos reais. “Os filhos das trevas parecem saber honrar.”

         Queridos! Longe de mim comparar o reino de Deus com o “reino da terra”, se bem que este último nem existe.

         “Dai a cada um o que lhe é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra”. Romanos 13.7        

         Podemos seguir mais um pouco?

         Tive o privilégio de acompanhar meu pastor que me ensinara sobre honra por alguns lugares deste Brasil, e pasme, em muitas ocasiões ele não recebia nem para cobrir o combustível. Sinto-me envergonhado!

         “Foi muito bom tê-lo entre nós, que bênção, nunca esqueceremos, que honra para nós recebê-lo aqui, boa viagem. Aqui está uma oferta para o irmão”.

         “Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obras e em verdade”. 1 João 3.18

         Alguns confundem oferta com “reembolso de despesas”.

         Entendo oferta como dádiva.

         Interessante que o próprio dicionário de língua portuguesa defina oferta como: retribuição por certos atos litúrgicos.

         Onde quero chegar?

         Amados, precisamos como Igreja de Cristo, honrar e receber bem aqueles que servem.

         Uma casa não pode prosperar estando trancada em seu egocentrismo.

         Uma Igreja não pode prosperar se não honrar.      

         Tenho viajado também e visitado Igrejas.

         Como pastor, e amigo de muitos pastores, nosso coração não está no dinheiro, jamais, e nem em sermos recebidos com tapete vermelho, pelo contrário.

         “...não que procure dádivas, mas procuro o fruto que cresça para a vossa conta”. Filipenses 4.17

         Como professor de uma Instituição Teológica, convidamos dois palestrantes para um treinamento.

         No primeiro contato manifestei o desejo de tê-los entre nós seguido do pedido de informação sobre os custos para tal treinamento, afirmando que antes mesmo de sua saída depositaríamos o valor necessário para a viajem.

         Data marcada, anotei os celulares, e combinamos um encontro na entrada da cidade.

         Depois de abraços e boas vindas seguimos para o hotel.

         Em minha cidade eles andaram comigo em meu carro.

         Não existe, pelo menos para mim, coisa mais constrangedora para um visitante convidado, sair por uma cidade que não conhece a noite, perguntando onde fica a Igreja tal ou Seminário tal...

         Treinamento realizado é hora de jantar. O que desejam?

         Retorno ao hotel.

         Dia seguinte combinamos o horário, e os levamos a saída da cidade, na rodovia.

         Abraços e agradecimentos.

         Não tenho nenhuma dificuldade de compartilhar esta experiência, porque aprendi a fazer assim com mamãe e papai, com meu pastor e com a Bíblia.

         E como sou abençoado por isto.

         Participei de um congresso e treinamento em um acampamento.

         Me senti envergonhado ao ver o orador, por sinal muito reconhecido, sem um lugar confortável para repousar durante aquele dia quente de verão.

         Percebi quando de longe disseram a ele: tem espaço no alojamento número tal em um dos beliches.

         Ele pegou sua pasta e uma caixa pesada com livros e seguiu para o alojamento, para descansar no meio da “turma”. Sinto-me envergonhado!

         Procurei o organizador com muito respeito e comentei: não seria interessante ter um outro local para o palestrante, quem sabe oferecer uma toalha de banho, frutas e água, pois ele ficará durante esta tarde aguardando a palestra da noite.

         Hoje determinei em meu coração escrever esta matéria.

         Disse a minha esposa: preciso escrever algo a respeito.

         Talvez não seja um bom redator, mas sei escrever e expressar bem o que estou sentindo e penso com convicção que Deus espera mais de nós cristãos.

         Em minhas viagens sou abençoado por Deus no convívio com novos irmãos, no servir a Igreja de Cristo, no aprender com a experiência de outros, mas sinto presenciar quantos tem perdido porque simplesmente não indicam o caminho, não perguntam, não se preocupam.

         Mas chegou a hora da bonança.

         Louvo a Deus pelas pequeninas Igrejas nas periferias de nosso Estado de São Paulo, com gente muito especial, tidas por simples, o que discordo totalmente, e que tem honrado seus convidados.

         Em todas as experiências positivas por mim vividas nestes últimos anos em que “o fruto que cresça para vossa conta...” se concretizou foram em Igrejas com menos de 100 membros. Interessante não acha?

         Neste último ano, as que me convidaram, buscaram-me, ofertaram-me (e não reembolsaram apenas as despesas), levaram-me, serviram-me água, bolo, etc... Preocuparam-se.

         Por um tempo imaginei que esta questão era cultural, de região, mas estou chegando à conclusão que a coisa é geral.

         Bom. Escrevi bastante e me faltará tempo e espaço para falar sobre acepção de pessoas.

         Porque, se entrar na vossa reunião algum homem com anel de ouro no dedo e com traje esplêndido, e entrar também algum pobre com traje sórdido e atentardes para o que vem com traje esplêndido e lhe disserdes: Senta-te aqui num lugar de honra; e disserdes ao pobre: Fica em pé, ou senta-te abaixo do escabelo dos meus pés, não fazeis, porventura, distinção entre vós mesmos e não vos tornais juizes movidos de maus pensamentos?” Tiago 2.2,3

         Poderíamos parafrasear este texto com palestrantes de renome e aqueles não tão conhecidos, a oferta pode ser menor, o assento não precisa ser almofadado...

         Acho que deu para entender.

         Querido irmão. Se você leu esta matéria compartilho contigo a alegria de perceber em nosso meio uma pequena parcela de cristãos que tem desenvolvido a hospitalidade e a honra, mas também uma parcela grande de cristãos desatentos quanto a isto.

         Convido você a orar a respeito e verificar em sua vida e Igreja como tem sido sua prática.

         Incentivo você a abrir sua casa e sua Igreja para receber mais pessoas, e mesmo quando não perceberem recursos suficientes para tal ação, não se atemorize porque a hospitalidade e a honra não se fazem com dinheiro, mas com amor.

         Já me senti mais honrado em um treinamento ganhando uma camiseta do que uma oferta em dinheiro.

         Aos que estavam pensando em me convidar (que pretensão) e desistiram, peço perdão.

         Aos que concordam comigo sou grato pela compreensão.

         No mais, que a graça de nosso Senhor Jesus Cristo esteja com todos nós hoje e sempre.

         Com amor.

         Pr. Nilson Siqueira Dias

         Gestor de Ministérios da Igreja Batista do Estoril

         Bauru - SP

         pr.nilsonsd@hotmail.com

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