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Publicado el November 22nd, 2008, 18:44

Clemir Fernandes: Sacerdócio universal, de fato.

Sacerdócio universal, de fato.



Sacerdócio universal é um binômio razoavelmente conhecido em nossas
igrejas e pouco compreendido - arrisco a afirmar - pela maioria dos
irmãos. Se se pedisse a definição de sacerdócio universal a dez
pessoas da igreja, numa ligeira pesquisa por amostragem, quantos
seriam aqueles que apresentariam, basicamente, um conceito consistente
ou coerente com a verdade?

Já que falamos em pesquisa, permitam-me fazer algumas perguntas, para
nos ajudar a refletir acerca desta importante questão: 1) Será que não
se fala nem se ensina clara, correta e com certa insistência acerca
deste tema em nossas igrejas por medo de que, de fato, as pessoas se
apropriem do conceito e passem a pautar sua postura por ele? 2) Não
enfocamos mais sobre sacerdócio universal porque queremos ampliar a
visibilidade e a supremacia do ministério pastoral sobre a comunidade?
3) Minimizamos as reflexões em torno da idéia de sacerdócio universal
para não radicalizar a democracia no contexto da igreja?

Sacerdócio universal é um dos grandes postulados doutrinários da
Reforma Protestante do século XVI e significa que toda pessoa é um
sacerdote, portanto, tem acesso direto a Deus, sem precisar da
mediação de quem quer que seja, senão e unicamente a do próprio Senhor
Jesus Cristo.

Os grupos da chamada Reforma Radical, entre os quais estão os
ascendentes dos Batistas, enfatizaram ainda com mais ardor e na
prática este princípio. No item 3.3, dos Princípios Batistas,
encontramos esta fundamentação, com o título de "O sacerdócio de cada
crente", que assim se expressa: "Cada homem pode ir diretamente a Deus
em busca do perdão, através do arrependimento e da fé. Ele não
necessita para isso de nenhum indivíduo, nem mesmo da igreja. Há um só
mediador entre Deus e os homens, Jesus. Depois de tornar-se crente, a
pessoa tem acesso direto a Deus, através de Jesus Cristo. Ela entra no
sacerdócio real que lhe outorga o privilégio de servir a humanidade em
nome de Cristo. Deverá partilhar com os homens a fé que acalenta e
servi-los em nome e no espírito de Cristo. O sacerdócio do crente,
portanto, significa que todos os cristãos são iguais perante Deus e na
fraternidade da igreja local." E este tópico finaliza com um resumo:
"Cada cristão, tendo acesso direto a Deus através de Jesus Cristo, é o
seu sacerdote e tem a obrigação de servir de sacerdote de Jesus Cristo
em benefício de outras pessoas".

O tema deste ano da Convenção Batista Brasileira evoca a importância
dos Princípios Batistas, especialmente quanto ao sacerdócio de cada
cristão, ao enfatizar a capacitação de cada servo de Deus para servir
fielmente ao seu Reino. Cremos que o tema vem num momento oportuno
quando de fato, precisamos valorizar o sacerdócio de cada crente, num
tempo em que pastores e igrejas (batistas!), vêm adotando,
sorrateiramente, princípios eclesiológicos estranhos à nossa boa,
saudável e, acreditamos, bíblica tradição.



Clemir Fernandes

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Caro Clemir

Como sempre, banqueteia-nos com sóbrios e inquietantes postulados
acerca da nossa realidade eclesiástica. Sofremos, querido Clemir, o
infortúnio de ver parte de nossas igrejas (batistas!) sendo de forma
sorrateira e avassaladora tragadas por uma série de novidades que são,
no mínimo, gritantes. Já que a figura do emergente Obama ressuscita a
memória de Luther King, por que não entrar no coro dizendo "I have a
dream": "Sonho com o dia que nossos batistas serão livres do julgo
liberal, carismático e neopentecostal, e voltarãos "aos princípios
eclesiológicos pautados pela boa, saórdia de nós e nos abençoeudável
e, acreditamos, bíblica tradição".
Deus tenha misericórdia de nós e nos abençoe.

Pr Francisco Helder Sousa Cardoso
Por InfoBatista, en: General