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Publicado el November 22nd, 2008, 18:26

Já ouviste acerca daquelas muito conhecidas passagens bíblicas, pelas quais já passamos cerca de mil vezes, mas que na milésima primeira nos dão uma nova e empolgante lição?

Encontrei recentemente uma dessas. Início do Evangelho de João, eis o endereço da pérola. Diz o texto que “O Verbo se fez carne e habitou entre nós...” (João 1.14).

Mergulhando no texto, descobri algo muito motivador. Entendi que nosso Salvador Jesus, a fim de escrever a história da igreja, nela entrou, não apenas como o Autor, mas, de forma especial, como Personagem.

Noutras palavras, Cristo “botou” de lado as insígnias e condecorações, os títulos de nobreza e direito ao merecido conforto, arregaçou as mangas e, por amor, veio nos trazer a salvação.

O escritor americano Max Lucado sugere, tencionando dar maior clareza à passagem, a idéia de que Deus via, como que num quadro, todo o transcurso das nossas vidas; desde o nascimento até o funeral. E tristemente via que os nossos funerais eram marcados pela desesperança de um final de vida sem Cristo, à qual ainda estava reservado o inferno e a eternidade distantes dEle. Por causa disso, e do seu inexplicável e conquistador amor, Ele resolveu entrar em nosso humilhante sistema de tempo, cultura e miserável humanidade, visando escrever, com suas próprias mãos, e inclusive em seu próprio corpo, uma linda história de salvação.

Isso nos é motivador. Passamos a entender que nenhum esforço de nossa parte, inclusive os que envolvem renúncia, será jamais comparável ao de Cristo. Despojar-nos, abrindo mão da glória, honra e conforto humano que nos cerca, jamais poderá, mesmo que de longe, se comparar à Kenosis (gr., esvaziamento) de Cristo, “que mesmo sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz” (Fp 2.6-8), Cristo entrou em nossa história, para escrevê-la de forma inesquecível e especial. Mas não o fez nem o faz sozinho. Não que Ele esteja a isso limitado. Mas a realidade é que opta em fazê-lo assim, com a nossa participação. Que ministério glorioso! Que verdade cativante. Deus nos possibilita escrever, como canetas em suas mãos, a história da igreja na terra.

Mas esta faca tem dois gumes. A glória pode se degenerar em terror... O brilho, em nefasta escuridão. O envolvente enredo da história pode ser violentamente atingido por um mal: a omissão. Saber fazer, e não fazer. É ter inspiração, como os grandes autores, para escrever muitas páginas de livros, mas se limitar a guardar aquelas singulares preciosidades em seu mesquinho coração. É privar outros do dom que o próprio Deus de graça lhe deu, exatamente para o benefício de muitos.

Notei, in loco, triste exemplo de uma dessas histórias que começou a ser escrita, mas que ficou cheia de lacunas.

O cenário era simples: manhã de domingo, 12 de outubro de 2008, Igreja Batista Roraima-Amapá, periferia de Belém (PA). Como de praxe, comemora-se nessa data o dia das crianças. Também, na capital paraense, se recebe mais de 2 milhões de pessoas para a maior festa idólatra do Brasil: o Círio de Nazaré. Num simples, mas aconchegante café da manhã para celebrar o dia dos pequenos, fiz na igreja aquela introdução básica com texto bíblico e oração. Depois perguntei, esperando a óbvia resposta, se alguma criança sabia o que se comemorava naquele dia. Num ato instantâneo, duas delas, sem hesitar, prontamente responderam: “Hoje é dia do Círio das crianças!”

Confesso, fiquei com vergonha diante do inesperado. Mas, muito mais comovido por saber que as raízes da idolatria começam a ser implantadas até mesmo na mente dos inocentes, e isso como conseqüência de nossa omissão...

Os romeiros de pés e joelhos inchados das longas peregrinações (alguns percorreram mais de 100km), de fé cega, de esperança enganosa e de vidas sofridas precisam de nossa compaixão!

Outro dia ouvi de uma representante da Junta de Missões Nacionais que, em recente visita a outra capital da região Norte do Brasil, também fora surpreendida por um desses violentos choques. Segundo ela, uma criança de pouco mais de 10 anos, compartilhava seu sonho, que era o de ser a maior prostituta do país...

Constatamos então a dura realidade: onde os cristãos deixam páginas em branco, a idolatria, a marginalidade, a corrupção, a prostituição, o crime e a exclusão escrevem suas histórias. E normalmente são páginas marcadas por intensa dor, desesperança e sofrimento.

Não sei você, mas isso mexe, e mexe muito comigo. Ainda mais se ouço Asaph Borba instigando “tanta coisa tenho feito, para o meu próprio prazer, tenho andado a procura, do meu próprio bem viver... enquanto existe tanta gente ansiosa por aí. Não te conhecendo assim como eu conheço a ti...”

Somos chamados por Cristo para (re)escrevermos a história do Evangelho em nosso país. E o momento de o fazermos já chegou. Temo que muitos cheguem ao final dos seus dias, decepcionados e frustrados, entendendo que muitas páginas de suas vidas ficaram em branco, no que diz respeito à realidade do testemunho e serviço cristãos.

Nenhum esforço de nossa parte será grande demais. Mas qualquer um, ainda que limitado, será de grande valor para a obra Deus. O Brasil da idolatria, das drogas, da prostituição, da corrupção, do ocultismo, da marginalidade, das infâncias roubadas, dos lares destruídos, dos abortos, da violência... clama com ânsia pela Água da Vida. Quem terá compaixão?

FRANCISCO HELDER SOUSA CARDOSO - Bacharelando em Teologia pela FATEBE, Belém (PA) - fheldersc@yahoo.com.br Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email

Fonte:http://www.ojornalbatista.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=703&Itemid=33

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