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Publicado el November 22nd, 2008, 18:03

"Pudera eu estar presente, agora, convosco e falar-vos em outro tom de voz; porque me vejo perplexo a vosso respeito.” – Gálatas 4.20

Entre os numerosos sinônimos de perplexo, constam: duvidoso, hesitante, ambíguo, confuso, atônito.

No contexto de instabilidade dos gálatas, o versículo em apreço contém uma expressão bem variável nas diferentes versões: “estou perplexo”, “estou indeciso”, “estou muito preocupado”, “eu não sei o que fazer”. Numa breve análise dessa crise paulina, apreciemos:

1- Qual o motivo? Uns mudam de posição (e de igreja) apenas atraídos pelo estilo de culto, sem interferências de novidades confessionais; outros, à base de exposições doutrinárias discordantes que lhes parecem superiores. No primeiro caso, o que cativa é a forma, apresentação. No segundo, o conteúdo. Que demoveu os crentes a quem se dirige o apóstolo? A pregação persuasiva dos “discípulos de Moisés”, maus intérpretes da Lei e dissidentes fanáticos. No início da Epístola transparece o espanto do autor com “outro evangelho” (o da circuncisão) alcançando preferência (1.8).

2- Repetição do parto? O versículo 19 registra que Paulo sofria “de novo as dores de parto” por aqueles filhos inconstantes. Salvação interrompida pelas fraquezas dos salvos? A Graça perdida e reconquistada? Ou simplesmente uma referência ao crescimento – uma complementação ligada à maturidade cristã? Aqueles “meninos no entendimento” (1Co 14.20) já haviam nascido, mas Cristo precisava ser formado neles (como que reincorporado). A dor do apóstolo se assemelhava à de mãe extremosa no trabalho de parto. Seu alvo não era dar à luz novamente aqueles filhos, mas conduzi-los à plena formação em Cristo (Cf. Ef 4.13).

3- Como lidar com o problema? Aqui o pai na fé confessa sua perplexidade. É o desafio de assumir o delicado papel de mãe sábia falando a um filho portador de estranho comportamento. Pesa consideravelmente a linguagem escolhida, além de gestos adequados. Em destaque, a mudança no “tom de voz”, que não dá para demonstrar na palavra escrita – capaz de levar pensamentos e sentimentos, mas incapaz de abrir um diálogo produtivo, de captar as carências e demandas de cada um, como acontece no processo de uma conversa cara a cara. Uma carta omite o olhar, o semblante (triste ou alegre), a lágrima, o sorriso, o aperto de mãos. Costuma incluir o abraço, mas à distância. Para usar “outro tom de voz”, em contraste com algum “tom severo”, Paulo quer visitar outra vez seus leitores; deseja comunicar-se ao vivo, de corpo bem presente. As palavras duras, por vezes impostas em circunstâncias específicas, devem oferecer espaço à leveza (Pv 19.2).

Note-se que, em Gálatas 3.1, o escritor e guia espiritual os acusa de insensatos; em 3.15 e 4.12, chama-lhes irmãos; em 4.19, “meus filhinhos” – afetividade marcante na primeira carta de João (1Jo 2.1,12,14,18,28). Quem não gosta de carinho?

Realça o cuidado de Paulo com os filhos espirituais (Cf. 1Co 4.14,15). Almeja a sabedoria suficiente para solucionar questões inquietantes. Exercita o amor para com os faltosos. Essas grandezas do líder, aliadas a enérgicas atitudes em momentos certos, fazem dele um obreiro-modelo. Como precisamos, pastores e demais líderes, aprender com ele!

FRANCISCO MANCEBO REIS - Pastor, colaborador de OJB

Fonte:http://www.ojornalbatista.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=717&Itemid=33

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