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Publicado el November 22nd, 2008, 18:35

Plano Cooperativo: Por que participar?

Os números são frios, não transmitem emoções como as palavras. Mas, às
vezes, podem provocar emoções em razão do que eles revelam. É o que sempre
acontece comigo ao ler os relatórios sobre a participação das igrejas
batistas no Plano Cooperativo. Imediatamente meu coração se entristece e
minha cabeça começa a dar voltas. A infidelidade atinge todas as igrejas, de
todos os tamanhos e de todas as regiões, e até igrejas cujos pastores estão
na liderança da denominação.
Diante dos números que leio, sou levado a repensar as razões para participar
do Plano Cooperativo. Será que ficou obsoleto? Não haveria outro método mais
adequado? Ou não representa mais causa nenhuma para a qual se deva
contribuir? Em outras palavras: devo continuar orientando minha igreja a
contribuir ou perdi o bonde da História e estou fora de contexto? Outras
dúvidas, que seria cansativo citar, vêm-me à mente. E a conclusão a que
chego é que, sim, vale a pena continuar a contribuir para o Plano
Cooperativo, pelas razões que exponho a seguir, como uma ajuda pessoal para
tentar mudar o triste quadro mostrado pelos referidos relatórios ano após
ano.
Vale a pena participar do Plano Cooperativo, em primeiro lugar, por causa do
seu próprio nome, pois é baseado no grande princípio que mantém a chama
batista: a cooperação. Aliás, o Plano Cooperativo é o princípio da
cooperação levado às vias de fato, porque trata de dinheiro, aquele item do
qual o ser humano tem mais dificuldade de desprender-se. Ora, cooperação é
basicamente desprendimento. Tenho percebido que a grande dificuldade que
pastores e igrejas têm para com o Plano Cooperativo, assim como para com a
obra missionária, a de ação social e outras que exigem cooperação, é de
desprendimento.
O princípio distintivo dos batistas é a sua forma de governo, isto é, o seu
conceito de uma comunidade local de participação voluntária, gerida por sua
própria assembléia, porém cuja cabeça é Cristo e cuja regra de fé e prática
é a Palavra de Deus. Nesse sentido os batistas se alinham com a corrente do
cristianismo radical que se opôs tanto ao catolicismo romano quanto ao
protestantismo clássico, os quais adotaram formas de governo baseadas no
princípio constantiniano da coerção, e por isso chegaram ao extremo de
estabelecer igrejas nacionais e territoriais (leia-se oficiais). Ao
contrário, a forma de governo preconizada pelos batistas é baseada no
princípio bíblico da cooperação, que é a maneira pela qual se reproduzem as
igrejas locais e autônomas.
Uma igreja batista não surge por geração espontânea, como as plantas que
nascem sem ser semeadas, mas, à semelhança do fenômeno da cissiparidade, em
que os seres vivos se dividem para dar origem a outros. Uma igreja batista
vai uma nova localidade, prega ali o evangelho, ganha novos membros e
posteriormente desprende-se deles, alegre e voluntariamente, para que
organizem uma nova igreja, autônoma e auto-suficiente. Quando uma igreja
batista inicia uma nova congregação, já o faz com intenção de desprender-se
dela. Assim, todos nós somos frutos da cooperação. Na nossa "árvore
genealógica" podemos encontrar pastores que estudaram num seminário
sustentado pela cooperação, missionários enviados por uma agência sustentada
pela cooperação, autores cujos escritos nos chegaram através da cooperação,
e daí por diante. Se uma igreja batista isola-se das demais, está dizendo a
si mesma e às outras que, no tocante a ela, a chama batista pode ser
apagada, porque não está disposta a passar a tocha adiante. Pelo menos por
gratidão, devemos praticar a cooperação.
Em segundo lugar, vale a pena participar do Plano Cooperativo porque a obra
da cooperação não se faz com discursos, mas com recursos. Humanos e
materiais, os quais custam dinheiro. Como ensina o apóstolo João, eu não
posso dizer ao meu próximo necessitado: "Vá em paz, meu irmão; eu vou orar
por você", e deixá-lo ir nu e faminto. Eu não posso sequer realizar uma
pequena reunião em qualquer lugar, sem que haja uma despesa mínima. E se eu
não pagar, alguém vai fazê-lo. É isto que nós, pastores, ensinamos às
igrejas; por que não o praticamos com respeito à denominação? Assusta-me e
indigna-me ver pastores comparecerem às assembléias denominacionais para
discutir, propor, votar e ser votados, cujas igrejas aparecem "zeradas" ou
com contribuições "simbólicas" no Plano Cooperativo. Para mim eles estão
dizendo o seguinte: "O que estou propondo, apoiando ou votando, alguém vai
pagar, mas não serei eu".
Por oportuno, quero responder àqueles que alegam não participar do Plano
Cooperativo porque os recursos são mal administrados. É como aquela história
em que o pai tirou o sofá da sala porque o namoro da filha estava ficando
muito indecente. Ora, se há problemas, devemos trabalhar para resolvê-los,
em vez de tirar vantagem deles para nos omitirmos. Lembremo-nos do homem da
parábola dos talentos que recebeu um só, e da sua desculpa esfarrapada, que
não foi aceita pelo patrão (Mt 25.14-30).
Por último, vale a pena participar do Plano Cooperativo porque ele é justo e
funcional. É justo porque é baseado na voluntariedade e na
proporcionalidade. A igreja de que sou pastor é bem pequena, mas contribui
com 10% da sua receita todos os meses; e assim ela dá tanto quanto a maior
igreja, que também oferece 10%. Ambas o fazem porque assim decidiram em
assembléias livres e devidamente esclarecidas. Também é funcional porque é
baseado na parceria, com condições claramente definidas e transparentes,
previstas nos estatutos e regimentos internos das associações e convenções.
Parceria é o que existe de mais moderno na administração de negócios.
Abro aqui um parêntese para dizer que o fato de que uma boa parte (no mínimo
25%) das igrejas consegue contribuir todos os meses serve de argumento
contra aqueles que alegam razões diversas como desencontro de datas,
problemas com queda de receita, coincidência com campanhas para ofertas
missionárias ou para construção, etc., para não fazê-lo. Se uma boa parte
das igrejas pode dar doze contribuições por ano, por que não as demais?
Tenho pastoreado seis igrejas pequenas, em dois estados, três convenções e
cinco associações, durante quase 40 anos de ministério, sempre cooperando
com 10% da receita, levantando três ofertas missionárias por ano e sempre
construindo, e nesses anos todos venho ouvindo críticas ao Plano
Cooperativo, mas nunca ninguém propôs uma alternativa mais justa e que
funcionasse melhor. Nunca nenhuma das cinco igrejas que antes pastoreei, e
nem a que dirijo agora, alegou qualquer dificuldade ou empecilho para
cooperar. Aliás, já encontrei todas elas cooperando, porque os pastores
anteriores lhes haviam ensinado isto. Por isso estou escrevendo como pastor
e principalmente para pastores, porque são peça importantíssima na
engrenagem da cooperação. Participar do Plano Cooperativo é questão de
ensino, exemplo e compromisso. Muitos pastores e igrejas ainda não
aprenderam a participar, igrejas grandes cujos pastores estão na liderança
não têm sido um bom exemplo de cooperação e muitas igrejas e pastores sabem
perfeitamente o que devem fazer mas se omitem.

Por InfoBatista, en: General