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Publicado el November 22nd, 2008, 18:24

Nunca foi fácil levar pessoas a Jesus. Sempre existiram resistências de toda sorte.

Resistências de ordem materialista, moral, maligna, mundana e motivacional. Ainda há barreiras levantadas pelo preconceito, pela ignorância e pela má conduta dos que “estão” na igreja e que impedem as pessoas de se achegarem a Jesus.

Muita gente encontra dificuldade de se aproximar de Jesus da forma certa porque enfrenta paralisias morais, emocionais culturais e espirituais. Se não forem ajudadas, elas não conseguirão ir sozinhas, por mais que precisem, até, em muitos casos, desejem. Falta-lhes disposição, coragem e determinação. Falta-lhes forças para se desvencilharem dos embaraços do mundo. Cabe a nós, os que já vencemos nossas paralisias, ajudar essas pessoas a se achegarem a Jesus e serem abençoadas.

Tomando como base o texto de Marcos 2.1-12, aprendemos quais sãos os requisitos necessários para se levar uma pessoa a Jesus. O texto trata da conhecida história de quatro amigos, cujos nomes são desconhecidos, que ajudaram seu quinto amigo, paralítico, a chegar até Jesus para ser curado. Da experiência deles e do texto podemos aprender dez condições fundamentais que não podem faltar à obra evangelizadora ou missionária.

1. COMUNICAÇÃO

O texto começa dizendo: “soube-se que Jesus estava em casa”, em Cafarnaum. A casa pode ser a de Pedro. A notícia correu, se propagou, se alastrou. Comunicação rápida e eficiente. Quando verdadeiramente Jesus está em nossa casa as pessoas saberão, notarão e divulgarão. “Essa casa tem Jesus”. O contrário também, infelizmente, é verdadeiro. É preciso que as pessoas saibam que Jesus está em nossa casa e vida. Isso acontece quando comunicamos o nosso testemunho com a vida e com a Palavra.

Muitos não têm demonstrado interesse pelo Evangelho porque não estão encontrando Jesus nas casas e nas vidas dos cristãos. Lamentavelmente, muitos cristãos não estão comunicando adequadamente a Jesus.

Comunicação é tornar comum, é fazer com que algo que só alguns sabem, conhecem, possa ser conhecido por todos. É participar, compartilhar, divulgar, anunciar, proclamar uma mensagem inteligível de um emissor (os salvos) para um receptor (os a serem salvos), através de um veículo de comunicação.

A comunicação da mensagem cristã, para ser eficiente, precisa ser: inteligente, íntegra, intencional, interessante, inigualável e inequívoca. Só assim as pessoas poderão ser despertadas. A mensagem precisa ir ao encontro dos interesses e necessidades das pessoas. Elas precisam ver, também, o resultado da mensagem na vida do comunicador.

Todos os recursos e meios de comunicação devem ser usados para que a mensagem chegue ao destinatário: folhetos, livros, revistas, jornais, rádio, televisão, testemunho pessoal, músicas, teatros, internet etc. Todos precisam saber que Jesus está na nossa cidade, igreja e vida. Essa comunicação precisa ser feita com paixão.

2. COMPAIXÃO

O texto nos informa que os quatro decidiram ajudar seu amigo paralítico a mudar sua sorte. O que moveu seus corações foi a compaixão. Viram a situação e a incapacidade dele de agir por si e se compadeceram dele. Importaram-se com ele. Sentiram que qualquer um deles poderia estar vivendo naquela situação.

Compadecer-se é padecer com alguém. É sentir a paixão, a dor no lugar de alguém. É humanizar-se, apiedar-se, condoer-se. É trazer para si o peso do sofrimento do outro. É ser misericordioso.

Compaixão é o que faz a pessoa sentir dor quando a outra é ferida. Alguém disse que não há melhor exercício para o coração do que abaixar-se e levantar os outros. Foi isso que os quatro amigos fizeram.

A compaixão é a energia que move o missionário. Se não tivermos compaixão não haverá evangelização. Precisamos olhar para a condição espiritual miserável em que muitos estão e nos compadecermos. Não adianta censurar nem dizer que estão pagando pelos seus pecados. Os amigos do paralítico poderiam achar que aquela enfermidade era uma maldição hereditária ou que caíra sobre ele por causa de seus feitos. Não, isto não importava. Eles queriam vê-lo liberto do seu mal. Um dia alguém nos comunicou da graça de Deus. Demonstrou compaixão por nós e recebemos a salvação. Este é o nosso momento de exercermos compaixão. A compaixão nos leva ao compromisso.

3. COMPROMISSO

Os quatro amigos do paralítico assumiram um compromisso – compromisso é comprometer-se com uma missão – e não abriram mão dele. Tomaram para si uma responsabilidade, uma obrigação de amor. A missão deles era levar seu amigo até Jesus para ser curado, para ter uma vida diferente. Encheram o coração do paralítico de esperança e não podiam falhar. Empenharam suas vidas nessa tarefa. Isso é compromisso.

As igrejas têm muitos assistentes de cultos, vários participantes de programações e campanhas, alguns envolvidos em organizações e atividades e bem poucos realmente comprometidos com bens, talentos, tempo e vida. Gente comprometida é gente que não mede esforços, que se sacrifica, que está sempre disponível para a obra do Senhor. Os líderes têm lamentado a grande falta de compromisso da quase maioria dos membros das igrejas. Sem compromisso não é possível levar ninguém a Jesus. O compromisso nos leva a cooperar.

4. COOPERAÇÃO

Os amigos se uniram para levar o paralítico. É a união que multiplica a força e os resultados. Cooperação é operar ao mesmo tempo. É trabalhar em conjunto para o mesmo fim, pelos mesmos objetivos. Cada amigo segurou numa das quatro pontas que sustentava a maca (catre). O peso foi dividido. O sacrifício foi diminuído. O resultado foi mais proveitoso.

Os batistas vivem pela cooperação entre as igrejas e membros. Cooperação é difícil, pois depende da boa vontade e da voluntariedade dos cooperantes.

A tarefa de levar pessoas a Jesus precisa ser feita por todos. As ofertas missionárias são um exemplo disso. É na cooperação das possibilidades máximas de cada crente e igreja que os alvos são atingidos, os missionários são sustentados e as vidas longe de Jesus são levadas a ele. G.M. Verity disse sabiamente: “Cooperação é soletrada com três letras: N O S”. A mútua cooperação serve de amparo nos momentos de desânimo que vier a passar qualquer uma das partes.

5. CONSTÂNCIA

Para tristeza dos amigos e do paralítico a casa estava abarrotada. Não havia como entrar nem pela porta nem pelas janelas. Creio que as pessoas que estavam ali também não estavam dispostas a ceder passagem. Os quatro amigos poderiam ter pensado: “Bem, fizemos o que era possível. Como não dá para entrar, vamos voltar”. Mas não foi assim que pensaram. Não desanimaram.

A tarefa de levar pessoas a Jesus sempre terá resistência e apresentará dificuldades. Se não houver perseverança não alcançaremos nossa finalidade. Se não formos persistentes frustraremos muita gente, principalmente Deus. Quantos já não tiveram que testemunhar e orar pela salvação de alguém por tantos anos e só depois de muito tempo é que essa pessoa achegou-se a Jesus. O êxito é fruto da perseverança. Foi Plutarco quem disse que “a perseverança tudo vence e pode mais que a força”.

Os que levam pessoas a Jesus precisam ter firmeza de espírito. Insistência e tenacidade são fundamentais à obra missionária, principalmente com pessoas e em lugares aparentemente fechados e hostis ao Evangelho. Digo aparentemente, porque, no fundo, podem ser profundamente carentes.

A constância faz o impossível possível, com a inteligência e criatividade dadas por Deus.

6. CRIATIVIDADE

Diante da dificuldade de entrar na casa, os quatro colocaram a cabeça para funcionar. Pensaram, elucubraram, aventaram possibilidades e impossibilidades. Eureca! Bolaram um plano. Um plano doido, certamente, mas criativo. Um plano arriscado, mas todas as novas e grandes idéias geralmente são arriscadas. Já que não podiam entrar pelos lados, entrariam por cima. Iriam descer seu amigo paralítico pelo eirado (laje plana feita de saibro endurecido e gravetos, protegida por vigas). Cavaram a parte de barro duro que ficava entre as vigas de madeira. As vigas tinham cerca de um metro de distância uma da outra. Abriram um buraco do tamanho suficiente para descer o amigo. À medida que abriam o buraco, os cascalhos iam caindo no chão. As pessoas se afastavam e ia se formando um espaço suficiente para descer o paralítico. Que idéia genial! Quem iria imaginar tal coisa?

Criar é dar existência. É originar, inventar. É fazer surgir o possível do aparentemente impossível. Às vezes, ficamos lamentando as dificuldades que enfrentamos com as barreiras, as oposições, as crises, a falta de recursos. Não adianta ficar brigando, reclamando e culpando os problemas, as pessoas, Deus. Devemos é resolvê-los. Buscar solução. Deus nos deu uma mente criativa. Precisamos aprender a usá-la mais. Existem igrejas que estão levando muitos a Jesus graças ao seu trabalho evangelizador criativo. Reconheço que algumas até exageram.

Muito da falta de melhores resultados da nossa obra missionária e evangelizadora se deve à falta de criatividade em nossas estratégias. Somos geralmente repetitivos. Há muita mesmice. Não atualizamos permanentemente nossos métodos nem os adequamos aos novos tempos, desafios e exigências. Ronaim Rolland disse que “criar é matar a morte”. Precisamos enterrar o que está morto, o que não funciona mais; o que serviu, mas não serve mais. Naturalmente, não precisamos perder o bom senso e a sobriedade nessa busca por inovação. A criatividade deve andar de mãos dadas com a capacitação.

7. COMPETÊNCIA

O plano era ótimo, mas arriscado. E se toda a casa desmoronasse? E se as pessoas que estavam embaixo ficassem feridas? O plano era viável por três razões: uma, porque, normalmente, as casas da Palestina tinham uma escada externa lateral que dava acesso a uma espécie de terraço; segundo, porque os quatro (ou um dos quatro) tinham conhecimento sobre como as casas e “lajes” eram construídas; terceiro, porque sabiam que o que cairia seria somente areia e pó. Para fazerem aquela “loucura” eles tinham que estar seguros e terem capacidade para fazê-lo, sem comprometer a estrutura da casa.

A obra de levar pessoas a Jesus é mais bem feita quando recebemos treinamento para isso, quando somos capacitados, quando nos tornamos competentes nessa missão. Não basta falar de Jesus, precisamos saber falar de Jesus. Antes de ensinar precisamos aprender. Antes de ministrar, precisamos receber ministração. Muitos discípulos de Jesus, ainda que bem intencionados, têm atrapalhado mais do que ajudado a tarefa de ganhar vidas para Jesus, por falta de sabedoria e discipulado. Nisso está a importância da educação cristã.

Os que levam vidas a Jesus precisam ter experiência verdadeira com Jesus, tempo de vivência de fé; testemunho de vida coerente e conhecimento o mais profundo possível do Evangelho, “para saber responder com mansidão e temor a razão da esperança que há em vós”(1Pe 3.15). O novo crente pode ajudar levando seus amigos não salvos para que alguém mais experiente apresente Jesus a eles. Quanto maior for a tarefa mais se requererá capacitação, aptidão, preparo, treinamento, conhecimento e chamada especial. E tudo isso tem um preço.

8. CUSTO

Para levarem seu amigo paralítico até Jesus os quatro gastaram tempo, energia física e emocional. Caminharam com ele pela cidade. Subiram até o eirado. Cavaram a “laje”. Sabiam que teriam depois que gastar algum tempo e dinheiro para consertar o estrago. Estavam dispostos a pagar o preço. Felizmente, agora eles contariam com a ajuda de mais um: o ex-paralítico.

Nossa salvação custou um alto preço para Jesus. Levar pessoas a Ele também tem um custo. Se queremos fazer a obra do Senhor bem feita precisamos investir. Investir em treinamento, gastar com produção de material evangelístico, despender recursos com o sustento de missionários que se dedicam exclusivamente a essa obra, suprir as despesas de promoção de Missões, de aquisição de equipamentos para facilitar a comunicação, correr com os gastos de trabalhos sociais que visam à vivência do evangelho integral. Temos que prover as necessidades dos novos na fé que, para as primeiras caminhadas nesse novo caminho, podem precisar de apoio financeiro, emocional ou de tempo para discipulado.

Enfim, levar pessoas a Jesus tem um custo de esforço, trabalho e enfrentamento de dificuldades. Mas os resultados são maravilhosos. Diz Salmo 126.6. “Aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará, sem dúvida, com alegria, trazendo consigo os seus molho”. Pagar o preço requer coragem.

9. CORAGEM

Para colocar seu plano em ação eles tiveram que ser corajosos. Tiveram que enfrentar as críticas das pessoas que estavam ali, do dono da casa (sangüíneo Pedro), dos escribas que estavam ali. Estes estavam ali, diz o texto, sentados confortavelmente, apenas para tentar pegar Jesus em algum erro. E, tolos, julgaram ter encontrado quando Jesus perdoou os pecados do paralítico. Enquanto os amigos tentavam entrar de todas as maneiras, os escribas estavam ali atrapalhando. Infelizmente, tem muita gente dentro das igrejas impedindo os que querem entrar.

Os quatro tiveram que ter firmeza de ânimo, ousadia, intrepidez. Não ouviram as críticas, não olharam para as dificuldades, não se detiveram diante das ameaças. Não que não tivessem medo, mas sua determinação era maior que o medo. Não se deixaram dominar pelo medo, venceram o temor. “O amor lança fora o temor” (1João 4.18). Plutarco disse: “A coragem consiste não em arriscar sem medo, mas em estar decidido quanto a uma causa justa”.

Levar vizinhos, amigos e parentes não cristãos até Jesus hoje exige coragem. Coragem para enfrentar a rejeição, o escárnio, as críticas sobre pastores e igrejas mercantilistas. Pode ser até que tenhamos que enfrentar perseguição nessa tarefa. Sem coragem não saímos do lugar. A covardia nos imobiliza. A coragem é absolutamente necessária para os atos de solidariedade, para a luta pela justiça social e, principalmente, para o evangelismo pessoal. A coragem é sustentada pela convicção.

10. CONVICÇÃO

Os quatro tudo fizeram, tudo enfrentaram porque tinham profunda convicção de que Jesus ia curar seu amigo. A certeza os movia, a esperança os fortalecia. A fé os tornava determinados. Diz o texto: que “Jesus, vendo a fé deles...”, isto é, olhou para cima e viu os quatro e olhou para baixo e viu o paralítico. Jesus VIU a fé dos cinco e ficou emocionado. Que coisa fizeram em nome da fé! Deus não ouve fé, Ele vê fé. Não adianta só falar do que se crê. Importa mais viver o que se crê. Jesus viu convicção. Convicção inabalável. A verdadeira convicção precisa ser mostrada. Estavam persuadidos intimamente de que faziam o que era certo. Se eles não tivessem convicção absoluta de que Jesus faria a obra de cura de seu amigo eles não teriam empreendido tamanha e dura tarefa.

Não se convence ninguém se nós mesmos não estivermos convencidos. “Razões fortes levam a decisões enérgicas”, disse Willian Shakespeare. Temos razões suficientemente fortes para tomar as decisões firmes e inabaláveis a partir de nossa experiência com Deus. Convicção é a fé, os princípios, os valores e os ideais fundamentados, alicerçados na Palavra eterna e bendita de Deus.

Para se levar pessoas a Jesus é preciso que quem leva tenha absoluta convicção do que está fazendo. Sem a certeza de nossa salvação, de nossa fé e daquilo que pregamos não há como levar pessoas a Jesus. Todos nós cristãos precisamos estar convictos a respeito das doutrinas bíblicas que ensinamos e firmes vivendo a fé que professamos, a fim de que outros, à semelhança de Jesus, possam ver a nossa fé e se entusiasmarem.

CONCLUSÃO

Certamente outros requisitos podem ser encontrados no texto bíblico em destaque para se levar pessoas a Jesus. E há ainda outros fora do texto. Mas esses dez nos bastam no momento e creio serem os principais. Portanto, para levar pessoas a Jesus com eficiência precisamos dominar a arte da comunicação do Evangelho; ter um coração cheio de compaixão pelas vidas sem Jesus; assumir com todo nosso ser o compromisso missionário e levá-lo até o fim; possuir um espírito de cooperação, ter constância, perseverança, não desanimando diante das dificuldades; saber ser criativos para apresentar com sabedoria a boa Palavra de Deus; buscar permanente capacitação para sermos competentes no que fazemos, estar dispostos a assumir o custo necessário para cumprir bem a missão recebida, demonstrar coragem diante das ameaças e oposições; e, principalmente, ter profunda convicção daquilo que cremos e pregamos.

WALMIR VIEIRA - Diretor do CLIC (Centro de Liderança Cristã Criativa), pastor interino da IB Cidade Jardim, Belo Horizonte (MG)

Fontes:

1)http://www.ojornalbatista.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=682&Itemid=33

2)http://www.ojornalbatista.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=702&Itemid=33

Por InfoBatista, en: General