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Publicado el November 23rd, 2008, 12:27

LEVANTA-TE E VEM PARA O MEIO…  

                                                           "Disse Jesus para o homem que tinha a mão resicada: Levanta-te e vem para o meio de nós."

Marcos 3:3  

(Sociedade Bíblica Britânica – 1939)  

            Algumas semanas atrás, em entrevista ao programa Reencontro, na TVE, pastor Nilson Fanini nos dirigiu a seguinte pergunta: "Irmão Antonio, a população brasileira está em sua maioria nas grandes cidades. O que a Junta de Missões Nacionais tem feito por essas pessoas?" O tempo limitado de um bloco de entrevistas em televisão, obviamente não nos permitiu descrever o impacto que nossa obra missionária tem nas metrópoles, mas falamos sobre algumas de nossas ações urbanas.

Coincidentemente, durante as visitas às seis igrejas em que falei, representando Missões Nacionais durante a campanha de setembro passado, nosso foco foi sempre missões urbanas, alavancando o contexto através do trabalho de nossa missionária Zandra Queiroz e sua valiosa equipe de voluntários, no Projeto Esperança na Praça, no Rio de Janeiro. As cenas reproduzidas pelo DVD da Campanha de 2006, mostram de forma clara os resultados do poder de Deus atuando através de pessoas ungidas como ferramentas vivas a Seu serviço.

            Esperança na Praça, no centro do Rio de Janeiro, REAME, em São Gonçalo, Os dois orfanatos em Itacajá – To e Barreiras – BA, Rubem Berta, RS e outras dezenas de projetos, atuam, levando o Evangelho de Jesus Cristo e o apoio social sustentável a pessoas marginalizadas, em situação de risco e vivendo abaixo da linha de pobreza. Ações baseadas no exemplo de Jesus Cristo, que sempre apresentava a salvação, missão precípua de seu ministério, acompanhada da ação social. A cura e os milagres, precediam ou procediam à graça das Boas Novas, como uma "premiação" à demonstração de fé.

Jesus, também, preocupava-se com a integração do marginalizado, à sociedade contemporânea. Seus milagres de cura, concederam aos beneficiados a reintegração social. Assim foi com os leprosos, com os cegos, com os endemoninhados e com os portadores de deficiência.

            Ação social, seja ela de Missões Nacionais ou seja das igrejas locais, não deve ser utilizada na forma pontual e excludente. Dar um prato de comida a quem tem fome, doar uma roupa que já não mais nos serve, aliviar uma ferida ou dor, são meios de proporcionar alívio a uma necessidade e alegrar nosso coração por ter, por um momento, praticado uma "boa ação". Mas Jesus nos ensinou a fazer muito mais.

Revivamos a cena narrada por Marcos no Capítulo 3 de seu Evangelho. Jesus chega na sinagoga, talvez uma igreja de periferia de hoje. É aguardado pelas figuras de destaque daquela igreja, que já estão no centro do átrio, com sua arrogância envolta nas vestes de grife contemporânea. Comentam, talvez, os últimos acontecimentos relacionados com o destaque "jornalístico" do momento: Jesus Cristo e seus conceitos "heterodoxos". O Mestre se aproxima. As conversas mudam à cutucada do primeiro observador mais atento.  Da entrada, Jesus olha para toda a cena. Repara no ambiente. Vê um homem encolhido à soleira da porta, com uma das mãos estendidas por uma esmola. A outra mão inútil, vitima, provavelmente, de um defeito de nascença. Sua mente onisciente já domina o assunto dos "líderes" que cujos os olhos altivos não alcançam a figura do necessitado, em cuja mão sadia já depositaram, instintivamente, a habitual moeda do dia. Jesus passa, olha-o com compaixão, lembrando do sofrimento que o acompanha pela vida. Fita os fariseus.

É sábado.

Decidido, Jesus pensa: "Vvou cura-lo. Mas não basta cura-lo. É preciso integrá-lo na sociedade. Preciso mostrar à humanidade que a ação social só se completa com a integração". Então, Jesus dirige-se ao homem e ordena: "LEVANTA-TE E VEM PARA O MEIO DE NÓS".  

Três elementos presentes naquela cena de aproximadamente 2000 anos atrás permanecem em nossos dias:

A sociedade indiferenteSéculo XXI. Somos parte da mesma comunidade egoísta, que se fecha aos problemas que não interferem em nossa individualidade. Esses pertencem ao governo, aos políticos, aos pastores e dirigentes denominacionais. Nunca a nós. Não fomos nós quem os criou. E assim, reunimo-nos no centro de nossas "sinagogas", enfarpelados em nossas vestimentas cuidadosamente adequadas e deixamos ao largo, as criaturas de Deus menos favorecidas, com suas "mãos atrofiadas" e sua pobreza natural, pois afinal: a Palavra de Deus não nos diz que os pobres sempre estarão conosco? Sim, somos a mesma sociedade farisaica e hipócrita.

Os marginalizadosEstamos cercados por eles. Famintos, desempregados, sem teto, portadores de deficiências, prostitutas, homossexuais, drogados, traficantes, ladrões, deficientes mentais e portadores de HIV positivo. Todos estão tão perto de nós, mas a nossa indiferença os coloca virtualmente bem longe. Às vezes, entregamos um prato de comida e nos sentimos realizados. Uma moeda doada ou um aceno acompanhado de um "Deus o abençoe" e… continue com sua "mão mirrada".

O poder de Jesus Cristo Este muito mais conhecido e usado do que naquele dia, na sinagoga, pois o que era surpresa e admiração naquela era, hoje é o poder sobre a morte. A salvação, cedida gratuitamente a todos os que O aceitarem.

            Missoes Nacionais tem levado esse poder salvador de Cristo ao longo de cem anos a todos os cantos de nosso País. Nossos missionários, revestidos da unção do Poder de Deus, a exemplo de Jesus Cristo e dirigidos pelo Espírito Santo, têm mostrado esse Poder salvador a milhares e milhares de pessoas. Missoes Nacionais tem integrado pessoas marginalizadas pela dureza da vida sem o Evangelho, ao seio das igrejas. Jesus, pelo poder do Seu sangue, tem transformado essas vidas em preciosidades aos olhos de Deus.

            Cristóvão é um exemplo vivo dessa integração através do projeto Esperança na Praça. Um dia, Cristo chegou diante dele, através de um voluntário do projeto e disse: "Cristóvão, levanta-te e vem para o meio de nós".  Cristóvão hoje testemunha essa integração.

            Meus amados irmãos, ao entrarmos em nossas "sinagogas", antes de nos aproximarmos do Altar de Deus e ali depositarmos nossas necessidades, nossa gratidão e até nossas vidas, façamos um pouquinho mais. Olhemos a nosso redor e observemos as mãos estendidas a clamar. Antes de depositarmos nessas mãos nossas esmolas, fitemos essas pessoas nos olhos e com um sorriso franco convidemos:

-         Levanta-te e vem para o meio de nós.


Antonio Lopes Filho

Gerente de Administração e Finanças