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Publicado el December 12th, 2008, 18:47

Valores

Russel Shedd


É sempre importante pensar sobre valores. Eles referem-se aos
elementos e experiências que tornam a vida signifi cativa. Valores
também tratam de relacionamentos que criam o sentimento que diz "vale
a pena viver". Valores essencialmente motivam pessoas a trabalhar,
poupar, gastar, investir e esperar um retorno que recompense o esforço
e o tempo investido. Valores podem vir de coisas, sistemas, ideais,
experiências, pessoas e muito mais. Qualquer coisa ou experiência que
dá signifi cado à vida seria um valor. Qualquer bem no mundo criado
pode se tornar um valor, como o teólogo Thomas Oden reconhece no seu
livro Two Worlds (Dois Mundos), que descreve a morte da modernidade
nos Estados Unidos e na Rússia.

Valores são tentadores porque prometem felicidade. Ela pode ser
imediata ou a longo prazo. Jovens estudam dia e noite para passar no
vestibular e ingressar numa boa universidade que ofereça o curso mais
desejável. Sacrifi car-se para tornar-se aluno da melhor universidade
e conseguir ser aprovado suscita no estudante a felicidade de ter
conquistado um valor intermediário. Em seguida, precisa trabalhar duro
para alcançar uma meta que servirá como um degrau na procura de uma
futura posição que pague bem. Tem muito signifi cado para o estudante
que deseja este valor. Talvez poderá acumular outros valores, como
casar com uma moça bonita e bem colocada na escala social. Valores
como estes motivam a maioria dos jovens ambiciosos.

Os valores competem entre si. Na corrida para se alcançar sua meta, o
estudante poderá criar um atrito sério com seu pai que queria que
fosse um mecânico como ele próprio é. O valor de subir para um alto
nível na sociedade compete com o desejo de agradar o pai. O pai de
Martinho Lutero quis que seu fi lho fosse um advogado bem-sucedido,
não um monge. O confl ito na carreira foi fonte de ansiedade para o
reformador. Competição entre valores cria ansiedade! O professor Oden
aponta para uma verdade prioritária. "Quando se eleva um valor fi nito
para a centralidade, alguém escolhe o que Jesus e os cristãos chamam
de um 'deus'. Trata- se um valor fi nito como algo do qual não se pode
conceber outro valor mais alto" (p. 95). O teólogo Paul Tillich
acreditava que o último valor está dentro de nós. Seria o único deus
que existe, um deus criado pela escolha de um valor pelo qual todos os
outros são julgados e avaliados. Onde está o Deus de Abraão, Isaque e
Jacó, o Deus criador do universo e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo?

Quando se atribui valor a um bem que não seja Deus, esse valor se
torna idólatra. Paulo descreve este pecado mais grave cometido pela
humanidade como "trocar a glória do Deus imortal por imagens feitas
segundo a semelhança do homem mortal, bem como de pássaros,
quadrúpedes e répteis" (Rm 1.23).

Quando valores não centram em Deus, automaticamente as pessoas
procuram valores humanos temporais, idólatras. A idolatria trata um
valor limitado como se fosse absoluto, segundo afi rmou Agostinho. Um
fi lho ou cônjuge em quem concentramos nossa principal fonte de
felicidade tem potencial idólatra (veja Oden, p.95). Por isso, Paulo
entendeu que "ganância... é idolatria" (Cl 3.5b).

A tendência de todos os descendentes de Adão é claramente atribuir às
coisas boas, tais como relacionamentos familiares, sucesso, uma
refeição especial, sexo ou qualquer outro bem, um valor substitutivo,
destronizando Deus. Nesse caso, a satisfação vem do bem e não de Deus,
motivo pela qual os homens não agradecem àquEle que lhes deu o valor
desfrutado. Contudo, congratulam-se pelos próprios esforços.

A salvação, que tem um valor inestimável, não pode ser alcançada pelas
obras ou por meio de justiça própria, simplesmente porque nesse caso
poderíamos agradecer a nós mesmos e não ao doador de todo bem.

"Dele, por ele e para ele são todas as coisas" (Rm 11.36) é a
declaração que apresenta a visão bíblica do único Deus verdadeiro. A
defi nição de quem Deus é nos ajuda a entender como valores
intermediários, e não últimos, se tornam os alvos de nossa busca. Se
nosso prazer não encontra sua maior satisfação em conhecê-lO, gozar
comunhão com Ele e obedecerlhE, automaticamente buscaremos um valor
menor. Certamente, esta seria a razão pela qual o maior de todos os
mandamentos é amar a Deus de todo o coração, de toda a alma, de todo o
entendimento e de todas as forças (Mc 12.30). Nossos valores estão
enraizados naquilo que mais amamos.

À luz desta verdade, podemos melhor entender por que "o amor ao
dinheiro (algo tão valorizado por muitos) é a raiz de todos os males"
(1 Tm 6.10). Cobiçando riqueza, abandonamos o maior bem. Fazemos da
riqueza nosso ídolo e relegamos o Senhor a um plano inferior.

Fonte: http://www.revistaenfoque.com.br/index.php?edicao=85&materia=1146

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